Dos retalhos

retalho

Estive pensando num texto que falasse sobre recomeço. No entanto, quantas vezes fiz textos sobre recomeços? Acho que o tempo todo. A vida e essa mania de toda hora me dar uma rasteira… E eu, que evito me fazer de vítima, sempre tentei olhar pra cima, usando palavras de incentivo e otimismo, com a certeza de que aquela era só mais uma história dentre tantas outras.

Meus recomeços são atípicos. Não procuro os amigos pra me divertir, não caio na noite, não procuro academias e nem posto nada prazinimigas verem que tô ótima (outh!). Acho uma boa ideia… Revigorar a alegria. Mas, no máximo mudo o cabelo. E me reservo aos meus pensamentos, filmes e livros. Às vezes recorro a alguém para conversar. Às vezes para lamentar, às vezes para dividir ou só para distrair.

Nem sempre fui assim. Olhando pra trás, vejo uma imensa colcha de retalhos. Vários tecidos de diferentes cores. Diferentes linhas. Retalhos velhos e novos. Vários cortes de cabelo. Várias festas. Vários amigos. Vários livros. Várias fotos. Várias casas. Várias dietas. Vários amores. Várias formas de me consertar, ficar bonita e confortável.

A minha última historia de amor foi algo que a principio eu achava divertido. Depois eu virei uma pessoa triste, depressiva, doente. Virei alguém que eu não conhecia: descontrolada, passando por cima de mim, do meu orgulho, dos meus princípios e ética. Com minha colcha brega aprendi que quando tomamos uma decisão, temos que pagar o preço dela. Se era um relacionamento que eu havia escolhido, eu evitava falar sobre os problemas que ele me trazia. Não adianta reclamar de um relacionamento que você decide ficar. Não adianta colocar a culpa no outro. Não adianta gostar de alguém que te faz mal e ser feliz ao mesmo tempo.Eu sabia. Mas, ficava com aquela esperança triste e silenciosa de que talvez eu pudesse ser feliz de novo com aquela pessoa que eu tanto gostava.

Essa história de amor acabou e eu precisei de muitos retalhos. Atrevo-me a dizer que essas costuras faço até hoje… Muitos eus foram desfeitos, assim como outros foram criados.

Lembrando de tantos retalhos ao longo da minha vida, hoje queria escrever um texto que fizesse com que eu me convencesse, que realmente a vida todos os dias nos dá oportunidade de recomeçar. Ou seria de se reinventar?

Atualmente existe um pedaço de mim… A vida andou me ensinando muitas coisas enquanto eu não prestava atenção. A gente tem por hábito depois juntar tudo, costurar e virar quem a gente é. Funciona assim. A vida. Mas, a morte… ela ensina o quê? E eu estou prestando atenção desta vez. É um retalho que não se costura. É um pedaço de mim que não sei o fazer com ele. Não se joga fora, não se esquece, não se queima, não se apaga. Eu acho que a gente dobra, coloca no bolso e carrega para sempre.

Recomeçar. Renascer. Reinventar. A gente vira artista sem querer. A gente faz arte todo dia, e ninguém sabe. Nem a gente.

Tum-tum

coracao_ferido

Percebi que meus olhos estão abertos. Tudo continua igual. As horas ainda parecem dias. O telefone tocou, a campainha, minha filha chamou, minha família, meu trabalho, meus amigos.

Existe uma estreita diferença entre querer morrer e não querer viver. E eu não queria mais, se eu pudesse. Queria que tudo parasse, mas existe tanta vida em minha volta, que ela me chama o tempo todo para levantar. Estou viva. Por mais que isso pareça inacreditável, meu coração continua batendo. Fraco, mas muito, muito vivo.

Há uma solidão em mim, que não me incomoda. Ela é responsável por várias horas de TV e leitura. Não mais a escrita. Mas, não sou triste. Bem, talvez eu seja. Relações, de qualquer natureza, não fazem parte das minhas (poucas) habilidades. Só vejo meus amigos quando tenho vontade. Na verdade, todos são assim… a diferença entre nós é que eu quero pouco. Minha família também reclama sobre minha falta de amor. No enterro do meu pai uma tia me disse que uma vez ele (meu pai) lhe disse que me achava igual a ela: fria. Eu não sabia que meu pai me achava fria. Essa descoberta não me entristeceu. Ora, talvez meu pai tivesse razão.

Em minha defesa digo que não é por querer. Já tentei explicar de diversas formas, porque é importante para mim que as pessoas que me amam saibam que as amo também. Descobri que não é que eu não dê importância às pessoas. Eu não gosto é de sair do meu ninho, e dificilmente gosto que tenham acesso a ele.

Acho que depois que tive Marina meu amor foi tão canalizado, que não consegui mais dar conta de ninguém. Minha filha, graças a Deus, se sente muito amada e feliz. Até porque ela faz parte do ninho. Aliás, de uns tempos pra cá ela acorda de madrugada, levanta e vem na cabeceira da minha cama me dar um beijo na testa. Não chorem com que vou dizer, mas desde então acho que é meu pai me beijando.Talvez seja uma grande besteira, mas viu, pai, eu não sou fria não.

Opa, esse texto não é para ser triste.Mas a gente que lida com uma perda dessa dimensão, pensa muito no sentido da vida. E meu coração está tão preenchido pela força que faz ele bater, que não consigo me dar ao luxo de ser infeliz.

Com tanta coisa importante no mundo, resolvi trocar minha foto de perfil do Facebook, pela foto do Leonardo DiCaprio, me juntando à galera que torce para que ele ganhe o Oscar. O que isso significa pra mim exatamente? Ora, porra nenhuma. Mas, eu ri. Quero que ele ganhe, mesmo que isso não signifique absolutamente nada. Quero brincar. Quero ir num show do Paul McCartney de novo. Quero comer comida japonesa.Quero ir pra praia. Quero assistir Friends.Quero uma sobremesa maravilhosa, e não vou sentir culpa! Aliás, não vou mais sentir culpa de nada. Meu coração não bate pra isso.

Não estou forte, mas estou viva. O coração está pesado, mas o sorriso é sincero.

Vida após a morte

Dos meus 42 anos de vida, há dois meses vivo sem o meu pai. Ele teve uma série de complicações, inofensivas a princípio, que em uma semana debilitaram seu corpo – frágil pelo tabagismo -, que resultou numa parada cardíaca.

Não vivíamos na mesma casa há aproximadamente uns 5 ou 6 anos, mas nunca saí de perto. Minha casa é exatamente em frente à casa dos meus pais. Desses 42 anos, convivi com eles todos os dias da minha vida. Raríssima exceções por alguma curta viagem. Todos os meus aniversários, dos meus irmãos, dos nossos filhos, todas datas comemorativas.

Há dois meses minha mãe não convive mais com seu marido, juntos há quase 50 anos. Há dois meses eu e meus irmão não temos o nosso pai. Não vou enfeitar o texto mostrando o quão maravilhoso ele era. Ele também era chato pra caralho. Mas tenho certeza que ele cumpriu com muita competência o seu papel, com todo amor e dedicação que um pai deve ter. E hoje estamos aqui com a sensação de que a vida que a gente tinha acabou, e que daqui para frente é um tudo de novo.

Tenho a impressão que luto não é dor. Luto é um estado de espírito que vai além de todas as dores que você já sentiu ou imaginou que poderia sentir. É algo além das emoções. Não é tristeza… É falta de vida dentro de nós. A vida que tivemos até hoje, morre. Eu já havia perdido algumas pessoas muito queridas, mas nunca alguém que fazia parte de mim. Já tive perdas materiais e emocionais. Já me senti humilhada, devastada. Já fiquei sem esperanças, sem direção, sem amor. Mas, nunca, nunca havia me sentido sem vida. No entanto, existe vida a nossa volta. Tudo continua igual e nada parou de funcionar. Só você.

Lidar com o mundo passou a ser um (re)aprendizado. As pessoas perguntam se está tudo bem. Costumo dizer que sim, mas a verdade é que eu não faço a menor ideia. Eu tenho que reconceituar minha vida pra saber.

Nós fomos imensamente acolhidos pelos amigos e familiares. Minha mãe recebeu visitas a semana inteira. Particularmente, rejeitei tentativas de aproximação: telefonemas, encontros, visitas, mensagens. Algumas respondi, mas, de todo coração, não sei qual foi o critério. Sei que muitos, se pudessem, até me pegariam no colo… Mas, eu só queria ficar sozinha e em silêncio.

Porém, existe um outro lado das boas intenções, que não posso deixar de alertar. Talvez por não saber ao certo o que nos dizer, alguns recorrem às religiões para tentar nos consolar. Preciso lembrá-los que geralmente os enlutados têm sua própria religião e estão lutando com ela. O melhor é dar um abraço e se mostrar solidário e amigo. Não chova no molhado, mesmo que seja de coração ou porque não encontrou palavras melhores. Não sabemos os planos de Deus, mas foi melhor assim. Deus sabe de todas as coisas. Ele agora está melhor. Com o tempo você se acostuma. Lembro de estar sentada na calçada de casa chorando, uma vizinha que não conheço muito bem, parou para me dar um abraço e dizer que meu pai era muito querido, que lamentava muito, mas que, por favor, era pra eu parar de chorar, porque era muito pior para ele se desligar da Terra. Tá bom? Tá bom. (TEU CU)

É verdade também é que a gente perde um pouco a fé, mas isso faz parte da falta de vida que disse ali em cima. Eu acredito em Deus, e quando tenho oportunidade, falo da minha fé. Quando meu pai faleceu, eu disse para Ele que não me revoltaria como muitos fazem. Disse que estava ciente de que um dia eu passaria por isso, que essa era a lei da vida e que nosso (eu e Ele) relacionamento ainda estava de boa. Só que… levei mais de um mês para falar com Ele de novo.

Há dois meses eu choro todos os dias, por motivos diferentes. É uma readaptação muito lenta. Tentamos não nos deixar levar e também a tentar lutar por nós mesmos. Eu ainda falo dele todos os dias, mas sem medo. Lembrar e falar do meu pai JAMAIS deverá ser uma tristeza. A saudade esmaga a gente e é com ela que a gente luta.

Tenho lido alguns livros que falam sobre espiritualidade. Curiosidade de saber como ele pode estar “vivendo” num outro lugar. Se pode nos ver ou estar por perto. Se está bem, se está feliz, se estão cuidando bem dele.Ninguém e nem nada nesse mundo pode censurar o meu choro, mas entendo que, independente de religião, o melhor, inclusive para nós mesmos, é lembrar dele com muito amor e alegria. É muita pretensão achar que cuidaríamos melhor do meu pai, mas mesmo assim sempre peço a Deus que cuide bem dele por nós, e que transmita todo amor que a gente sente.

Enquanto isso, por aqui a gente tenta manter o seu legado. Queria contar pra ele o que a gente tem feito. Aliás, pai, hoje eu coloquei o rejunte no box. Aquele que você deixou aqui e disse para eu fazer porque era facinho. Fiz igual a minha cara. Você faria melhor, mas… nosso lema é fazer mesmo sem saber, porque no final Deus ajuda e a gente sempre acerta. Ou não. :-P

Às vezes penso que poderíamos ter feito diferente. Todas as vezes que ele foi ao médico e este determinou repouso, que deveríamos ter arrumado um jeito de amarrá-lo em algum lugar. Ele subia na casa pra olhar a caixa d’água, ia à mercearia e trazia peso, mudava os móveis de lugar, ia bater perna na rua. Não adiantava brigar. Ninguém mandava nele. O que me consola é que ele sempre foi dono da sua vida.

A morte existe.E ela não leva apenas quem se foi. A gente fica aqui num tipo de realidade paralela, reaprendendo, reconceituando, sobrevivendo.Sei que vai chegar um dia que não teremos aquela pontinha de angústia ao reunir toda família. Sei que nossos filhos darão (mais) sentido às nossas vidas, ao nosso trabalho, às festas e em algum momento tudo volta algo que seja próximo ao “normal”.

Às vezes quero acordar desse pesadelo, que se tornou vida.

Que Deus nos ajude a voltar a sonhar.

NA NA NA NA NA

Esse texto não é uma retrospectiva de 2014. Mentira, é sim. Mas, prometo que, apesar de toda probabilidade, não vou te cansar. Até porque, se você faz parte dos meus 14 leitores do mundo inteiro, e lê os meus textos até hoje, é porque, além de acreditar em Papai Noel, me acha irresistível.

Então que hoje, conversando com meu pai, após várias reflexões, ele me alertou sobre uma supersticiosa falta de sorte cármica. Não se verbaliza um desejo. Dizem que dá azar. Por isso relutava em me dizer algo que desejava que desse certo para mim. Não contou para ninguém, receoso, para proteger o que lhe era valioso. Daí que, pela primeira vez na vida, como se não acreditasse em desatinos, respondi: tem problema não, pai…o vento tem andado a meu favor… pode me contar.

Inédito. E incrível.

Sempre julguei meus anos como uma sucessão de caos, misturados com uma terrível sensação de que o universo era uma piada. Aliás, a piada era eu. Não, não! Não se trata de um drama existencial. Não desta vez. Apenas perdi a identidade. Fiquei perdida no meio do furacão. Consequentemente, parei de escrever, e com a mais sincera resistência, confesso que desaprendi. Minha escrita não amadureceu comigo, meu vocabulário não renovou e tudo parecia um filme repetido, assistido e escrito tantas vezes. Acho que infeliz nunca fui, mas esse filme estranho, que me recuso a reescrever, já estava cansativo.

Que fique claro que meus verbos no passado não mudaram o filme, mas tenho a impressão de que deixei o filme no mudo, e por uma falta de opção física ou emocional, liguei o rádio. No meio de tanta teoria, quem sabe se quem canta os males espanta?

Tenho o hábito de usar fones no ouvido para distrair os pensamentos e ignorar o que não quero ouvir, como pessoas desconhecidas que puxam assunto ou as conhecidas que puxam também. E esse hábito me serve como analogia para um suposto fone de ouvido que o universo me deu, provavelmente no Natal passado, porque em 2014 fiz tanta coisa legal, cumpri tantas promessas que me fiz! Aliás, se você nunca cumpriu uma promessa que se fez, por favor, experimenta! Me dei um monte de presentes. No Dia das Mães o presente foi da minha filha. Cantei as músicas mais lindas do planeta, num coro apaixonado, regido pelo Paul McCartney. Não tive medo do “não”. Me acabei com vários “sim”. Só não consegui começar a dieta segunda-feira, porque, né? Comer é bom pra c*ralho.

Talvez o cosmo tenha me perdoado, porque finalmente eu admiti que sou/estou perdida. Ou um caso perdido? De qualquer forma, me perdi e decidi que vou ficar por aqui mesmo. Poetas dizem que a gente não pode se conformar, mas eu não sou poeta, e o mundo, pra mim, sempre foi uma bagunça. Então, me dou ao luxo de me conformar, e ficar. Eu sou essa pessoa que você conhece e reclama. Aliás, céus, como reclamam! Bem que tentei mudar, mas não deu certo. Chegou a hora de você também se conformar. Daqui eu não saio mais.

Não tenho planos para 2015, mas já tenho algumas ideias. Meu pai não me aconselharia verbalizar desejos, e eu não me atreveria contrariar tal sabedoria milenar, mas já que o vento tem sido meu amigo, arrisco desejar um 2015 cheio de NA NA NA NA NA pra mim. E pra você.

Hey, Jude, don’t make it bad
Take a sad song and make it better
Remember to let her under your skin
Then you’ll begin to make it better.

Paul McCartney

Prefiro evitar a fadiga

Não, eu não me importo se eu ligo e não atendem. Não me importo se mando uma mensagem e não respondem. Desde aquelas que levei 3 horas escolhendo palavras para enviar duas linhas – e recebi “risos” como resposta, e nem era engraçado – , até às mais ignóbeis. Não me importo se dei muita atenção a algo que só me trouxe frustração. Às vezes até acho que a vida é uma merda, e que pena que o mundo não gira em volta do meu umbigo, mas… prefiro evitar a fadiga.

Não destrato atendentes imbecis. Aliás, não destrato imbecis no geral. Não pela minha superioridade intelectual, não porque sou cristã, não porque sou paciente. Apenas prefiro evitar a fadiga. Em tempo: infelizmente nem sempre dá para falar o que se tem vontade… Mas, se você falar primeiro, eu topo.

Ponto de vista. Não faça como eu: não tente defender, porque é a maior perda de tempo de todos os tempos. Ninguém muda de opinião. Ninguém muda o comportamento. Ninguém muda. Aliás, eu não mudo.

Jamais sou mal educada. Nem em dias quentes. Pode ser que um dia eu não consiga medir as palavras, como de costume. Pode ser que um dia eu seja direta ao invés de dizer que seu ponto de vista é interessante. Pode ser que eu já tenha usado todas as palavras educadas do meu limitado vocabulário, e que a vida só tenha te ensinado a ouvir na porrada. Mas, sinceramente, eu prefiro evitar a fadiga.

Babaquice. Contando que não me inclua, tô só observando. Chato é que todo babaca gosta de atenção.

Sabe, eu tenho muita conta para pagar. Muita. Por três motivos: primeiro, porque sou descontrolada. Segundo, porque eu acho que sou milionária e essa sensação nasceu comigo. Terceiro, porque eu realmente preciso. Então, enquanto alguém não responde uma mensagem, não me atende, me trata mal ou fica de babaquice, eu estou recebendo uma conta para pagar. Só nesta frase já foram quatro. ISSO me consome.

Em resumo, tento fazer da minha vida um extrato simplificado. Só presto atenção no saldo. Fiz essa analogia ontem no boteco. Sei que vocês perceberam… Mas, me achei muito inteligente.

No entanto, há os dias que por mais que eu tente não compactuar com o caos que a gente costuma ser, não dá certo. Sabe por quê? Porque, infelizmente, eu não sou imune. Impossível não se importar por tanto tempo com aquilo que me agride. Por mais que eu tente varrer o lixo, ele existe. Por isso, evite ser um imbecil, mal educado, babaca e insensível perto de mim. Me dá aí uns quinze dias. Não ando evitando a fadiga.

Prozaquiando

Normalmente, pessoas que usam algum tipo de medicação controlada, não gostam de assumir o fato. Primeiro, por uma questão de privacidade. Segundo, porque não querem ficar expostas ao preconceito. Pensando bem, não é um bom cartão de visitas.

Uma vez, uma amiga me disse que preferiu não se envolver com um homem que lhe confessou ser depressivo e fazia tratamento. Charmoso não é. Parece atestado de problema. Você olha para trás e vê toda qualidade de homem-problema que passou pela sua vida, e agora um depressivo assumido? Ok, não parece uma boa ideia, mas, apesar de não saber do contexto, arrisco um palpite.

Particularmente, não me aborreço com supostos julgamentos. Não faz parte do meu currículo, nem diria numa entrevista de emprego, mas, em algum momento apropriado, não me importo em expor aos amigos minha condição de ansiosa, depressiva AND medicada. Não sei o que pensam a respeito, no entanto, se fosse eu a ouvinte, talvez não lhes levasse muito a sério. Eu e meu preconceito, claro.

Daí que lembrei que não há UMA pessoa que eu conheça que seja “normal”. Aliás, ninguém sabe o que é isso. Todas se descontrolam, brigam, choram, são bipolares (palavra na moda) e infernizam a vida de alguém, mesmo com todo amor do mundo. “Eu não”. Mas, nem eu. Todavia, quando olho para trás e vejo a quantidade de homens loucos que passaram pela minha vida, pensando bem, por que eu me assustaria justamente com aquele que se trata? Quando um homem me chama de louca, por impulso, primeiro mando que entre na fila. Mas, logo depois lhe asseguro que de todas as outras loucas que passaram por sua existência, sou a única medicada. E mais: o suficiente para saber que o “louco” da relação é ele, que não se trata. Claro que não dá certo. A louca com atestado sou eu.

No meu trabalho é algo comum. A maioria dos problemas físicos que tive (e os que aparecem) tem relação direta com minha profissão. No gastro, no cardiologista, no ortopedista… a primeira pergunta: “Em que você trabalha?”. “Sou professora”. “Huuumm, entendi”. Nem preciso revelar os sintomas para o tratamento. No psiquiatra não seria diferente. Professores, bancários e guardas de trânsito são campeões em medicação controlada. Sabia não? Pois é.

Tudo isso não se trata só da sua relação com o outro. Você não está se adaptando ou buscado um aprimoramento social. É muito mais a relação que você tem com você mesmo. As pequenas coisas permanecem pequenas. Chega de tempestades de copos d’água. Chega de se sentir tão agredida pela ignorância alheia. Chega de agredir as pessoas com a sua ignorância. Chega de se sentir mal por, talvez, ser diferente.

Óbvio que meu organismo já se habituou com a medicação, e a falta dele me faz mal tanto quanto qualquer tipo de abstinência, inclusive da Coca-cola. O que deve se ter em mente é que não existe pílula da felicidade. A gente precisa só de um freio para as emoções da gente que estão desgovernadas.

Hoje em dia meus alunos gostam de mim. Nunca achei que isso seria possível. Minhas relações sociais diminuíram, mas é só um reflexo acentuado de uma característica minha, algo que também não tive problema em me permitir. Passei a gostar um pouco mais de quem eu gostava de menos, e um pouco menos de quem eu gostava demais.

Não sou o melhor exemplo e nem sirvo de regra pra coisa alguma. Mas se, no fundo, você acha que precisa de ajuda emocional, passe por cima dos seus próprios preconceitos. Você encontrará ajuda, não pra ser assim como eu. Você vai encontrar ajuda para o tão sonhado desafio de ser apenas você.

101 coisas em 1001 dias

Eu gosto muito das ideias da frozinha Biessa, e achei muito legal fazer uma listinha de metas. Tudo bem que deu um trabalho danado pra fazer. Tudo bem que essas “listinhas de ano novo” são todas promessas que gostaríamos de cumprir, mas nunca será. BUT, é tanta coisa possível e importante, que mesmo que não se cumpra tudo, vai valer a pena tudo o que der certo. Então, vamulá:

101 coisas em 1001 dias
Início: 07/01/2014
Término: 03/10/2016

Status:
– itens realizados
– itens em andamento
– itens não realizados/desistência/mudei de ideia

Família/casa
1.       Faxineira 1x por semana.
2.       Castrar Lisa. (minha gatinha)
3.       Não deixar livros/folhas de prova/trabalhos acumulados espalhados pela mesa da sala.
4.       Cozinhar para os amigos.
5.       Jantar com os primos, pelo menos, 2x por ano.
6.       Comprar um sofá confortável.
7.       Mudar para um apartamento.
8.       Comprar uma cama nova pra Marina.
9.       Comprar uma cama nova pra mim.
10.   Comprar uma Apple TV.
11.   Trocar meu Iphone por um modelo mais novo.
12.   Comprar uma luminária style para colocar ao lado da minha cama.
13.   Encher a parede do meu quarto com fotos.
14.   Comprar mais prateleiras, inclusive para o box.
15.   Comprar um computador para Marina.
16.   Tentar convencer Marina que o quarto dela é mais legal que o meu.
17.   Tentar convencer Marina que a cama dela é melhor que a minha.
18.   Comprar uma escrivaninha para Marina.

Saúde/beleza
19.   Manter o cabelo curto. SIM!
20.   Emagrecer, pelo menos, 5 kg. (Engordei 20 kg quando engravidei. Perdi 10 depois q minha filha nasceu. Se eu conseguir perder 5, ficarei feliz da vida! Tento, preguiçosamente, há quase 7 anos)
21.   Parar de procurar o dentista só em caso de emergência.
22.   Ter uma alimentação mais saudável.
23.   Praticar alguma atividade física que não envolva puxar/levantar pesos.
24.   Fazer uma tatuagem no pé.
25.   Ir mais vezes à praia.
26.   Comprar mais acessórios “moda praia”.
27.   Investir mais em maquiagem.
28.   Parar com a preguiça de me maquiar.
29.   Ter o hábito de levar batom na bolsa.
30.   Parar de fazer sobrancelhas em casa.
31.   Voltar ao oftalmologista.
32.   Fazer óculos novos.
33.   Comprar cremes anti-age, principalmente para área dos olhos.
34.   Tomar mais sucos.
35. Tomar menos Coca-cola
36.   Procurar algo (médico/dieta/atividade física) que ACABE com minha dor na coluna.
37.   Parar com a preguiça de fazer saladas.
38.   Comer menos frituras.
39.   Voltar a fazer terapia.
40.   Pagar um plano de saúde pra mim.
41.   Apaixonar-se.
42.   Beber mais água.
43.   Não acordar tarde, mesmo nas férias/feriados.

Vida intelectual
44.   Fazer uma pós.
45.   Assistir a mais filmes “estrangeiros”.
46.   Ler, pelo menos, um livro por mês.
47.   Conseguir criar um grupo de leitura. Com direito a cafezinho à tarde.
48.   Criar uma oficina de escritores com meus alunos.
49.   Escrever, pelo menos, 1 vez por mês no meu blog pessoal.

Organização
50.   Organizar as fotos de Marina, desde que eu estava grávida.
51.   Revelar todas as fotos organizadas.
52.   Criar um álbum com tais fotos.
53.   Comprar algum “porta sabão em pó”, porque a caixa de papel fica molenga.
54.   Comprar um pote grande para guardar ração de gato.
55.   Preciso de alguma coisa também para guardar temperos!

Dinheiro
56.   Encontrar um lugar pra morar onde a relação custoXbenefício seja perfeita.
57.   Poupar dinheiro mensalmente.
58.   Dar prioridade ao necessário.
59.   Diminuir com o delivery.
60.   ECOMONIZAR LUZ!
61.   Cancelar 90% dos e-mails cheios de promoções imperdíveis.
62.   Parar com essa mania de achar que preciso de TUDO ao mesmo tempo agora.
63.   Voltar a juntar moedas no cofrinho

Lazer/viagens
64.   Levar minha filha pra andar de avião.
65.   Conhecer Foz do Iguaçu.
66.   Ir pra SP para levar Marina ao show do One Direction, aproveitar e conhecer azamiga tudo.
67.   Comer num restaurante delicioso, ir a um centro cultural e ir pra night paulista. Tudo em um dia só!
68.   Fazer uma trilha nível LEVÍSSIMO.
69.   Tirar passaporte. (meu e de Marina)
70.   Providenciar a carteira de identidade de Marina.
71.   Fazer uma viagem internacional com Marina. (Qualquer uma)
72.  Conhecer Ilha Grande.
73.   Ir ao Cristo Redendor.
74.   Conhecer Curitiba NO INVERNO.
75.   Levar Marina para conhecer a neve!
76.   Levar Marina para nadar com peixinhos!
77.   Aproveitar feriados para fazer absolutamente nada.
78.   Ir ao cinema que não seja para assistir a filmes infantis.
79.   Não desistir de assistir aos episódios de Modern family, porque ADORO, mas esqueço.
80.   Conhecer o MAR (Museu de Arte do Rio).
81.   Ir ao teatro. Acho que não vou há uns 10 anos.
82.   Tomar banho de cachoeira.
83.  Ir ali em Paquetá.

Diversos
84.   Escrever outro livro.
85.   Ter mais vasos de flores em casa.
86.   Comprar um abridor de vinhos.
87.   Experimentar mais vinhos.
88.   Experimentar comida japonesa. (uma que dê certo)
89.   Experimentar segredo 1.
90.   Praticar mais segredo 2.
91.   Segredo 3 sempre!
92.   Caso faça uma trilha, comprar um tênis bom pra isso. Coluna agradece.
93.   Lembrar de fazer alongamento todos os dias antes de sair pra trabalhar.
94.   Ler mais livros de autoajuda. (eu gosto)
95.   Ler/ouvir mais noticiários.
96.   Fazer um piquenique!
97.   Parar de comer podreiras na hora do recreio!
98.   Não me acomodar, em qualquer área da minha vida.
99.   Renovar a minha fé.
100.Socializar mais com amigas(os) de trabalho.
101.  Atualizar a lista a cada conquista. ;-)

Sobre a Lei do Retorno

Se existe alguma coisa que faço bem é refletir sobre a minha vida, principalmente na hora de dormir. Você, que tem insônia, sabe do que estou falando. E nessas infindas reflexões, sempre há o momento “o que fiz para merecer isso?”, “como assim a gente colhe o que a gente planta?”, “como que nasceu uma vaca desse ovo?”.

Aí, a gente vai pras redes sociais e tem um monte de gente boa dialogando cazinimiga. Não há nada mais pavoroso do que “tudo que me desejas, te desejo em dobro”. Claro que o recado foi pro suposto recalque que tem inveja de sua vida abençoada por Deus. Ou seja, enquanto o recalque quer que você tenha uma dor de dente bacana ou morra, tomara que ela morra também, mas, sei lá, eletrocutada. Bem feito. Deus está contigo.

Aliás, Renato Russo já dizia que “Deus está do lado de quem vai vencer”. Acho a frase reflexiva, e talvez seja um ótimo tema para redação, mas eu não tô entendendo essa bagunça. Por que Deus prefere você? Por que Ele me daria uma casa e tiraria a do vizinho? Por que você acha que Deus é seu amigão e te dá preferência? Por causa da sua fé? Por causa da sua religião? Você é melhor que o outro em que parte? Não faz mal a ninguém? Nunca matou? Nunca roubou? Não cobiça nada do próximo?

Particularmente, vejo Deus como um amigo. Alguém que preciso conversar, porque sei que minhas palavras mal explicadas são bem traduzidas pelo meu coração. E acredito que seja isso que nos aproxime. Não acho que Ele me dê preferência em coisa alguma, e, às vezes, até reclamo disso. Ele nunca me dá nada que eu peço. MUITO difícil. Mas Ele me dá muitas outras coisas que eu nunca tinha imaginado que precisava. E sou muito agradecida pelo que não sei pedir.

Juntando tudo, cheguei a conclusão que a tão famosa Lei do Retorno funciona de forma completamente diferente do que eu vinha refletindo esses anos todos. Essa lei existe, com toda conspiração do universo. Tudo que você dá, você recebe de volta, mas preste atenção ao detalhe: você só recebe de volta TUDO que você NÃO SABE que está oferecendo.

Finalizo o ano de 2013 com a mais perfeita certeza do que estou dizendo. Muitos casais reclamam sobre a desigualdade do que é dado e recebido. Muita gente não faz com o outro, porque não gostaria que fosse feito com ele mesmo. A teoria é boa, mas vão pegar seu namorado, mesmo que você não pegue o de ninguém. Vão te desejar mal, mesmo que você não deseje a ninguém. Vão te roubar. Vão te machucar. Vão te ofender. Vão qualquer coisa que você nunca tenha feito. Da mesma forma que dar dinheiro/qualquer coisa a quem precisa, não te abre uma caderneta de poupança celestial. Ajudar, ser honesto, humilde, generoso etc., não é investir no seu futuro. Tentar ser uma pessoa melhor a cada dia é maravilhoso, edificante, mas não dá estrelinha no céu.

Na semana de Natal, comprando presentes, escolhi para minhas cunhadas uma sandália de dedo, estilo Havaianas, mas com lacinhos. Achei LINDAS. Quis comprar uma pra mim, mas não dava ($$$$), porque eu tinha outros compromissos. Daí, que ontem fui encontrar uma amiga queriiiiida demais, e ela resolveu me fazer uma surpresa, de uma piada antiga entre nós e me deu um presente. Era uma sandália de lacinhos! Ri demais! Não só pela piada, mas ela nem imaginava que era uma daquela mesmo que eu queria e não deu pra comprar! E foi ela, de tão longe, que trouxe pra mim.

Nada disso se trata de sandálias que dei e recebi. Aliás, você, que é inteligente, sabe disso. Em 2013 eu tive vários exemplos de que a gente não sabe absolutamente nada sobre o coração das pessoas. Nem adianta desejar bem prazinimiga tudo. Não é dando que se recebe. A gente não colhe o que a gente planta. Várias vezes já plantei alface, mas fui lá ajudar a colher laranja. Voltei e minha alface estava toda estragada. QUE PORRA! Você aí da laranja pode não ter se sensibilizado ou não soube ou não tinha mais laranja, whatever. Eu planto tudo de novo, dá um trabalho danado, mas na minha porta vai aparecer o outro lá que plantou qualquer outra coisa e veio me dar porque lá estava sobrando ou só pela gentileza.

2013 não foi um ano perfeito, mas foi um ano bacana. Não saberia dizer o que seria um ano exatamente perfeito, além do fato de poder dar conta de tudo que podemos fazer.

Não sou de reclamar muito com Deus, não, mas tem dia que “Não é possível que o Senhor não esteja vendo isso!”. Daí que Ele deve pensar o mesmo de mim. Ainda bem que entende que é difícil isso de ler em linhas tortas, né? Porque, OLHA. Tem dia que tá puxado.

Que fique bem claro que este post não tem compromisso algum com a verdade. Acredita no que eu digo quem quiser.

Que venha 2014, cheios de coisas (boas!) que eu não sei, não quero saber, e tenho raiva de quem sabe.

Dezembro, seu lindo

161840581Ah, como adoro dezembro. É o mês da esperança, das férias, da família, do amor. É o mês que traz de volta a sensação de poder recomeçar, corrigindo nossos erros e aguardando novas oportunidades. É o mês que, de repente, somos preenchidos pela necessidade de ser solidários, de perdoar, ou quem sabe, SE perdoar.

A pergunta enigmática é: por que somos arrebatados por toda essa bondade, sensibilidade, apenas nessa época tão comercial do ano? Como uma boa consumista, sou facilmente convencida de que todas as pessoas que amo merecem um presente especial, principalmente eu. A gente gasta rios de dinheiro, inclusive o que não tem, para se sentir mais feliz e em harmonia com o mundo. Um plano friamente calculado.

Mas, cá entre nós, na boa: ainda bem. Ainda bem que existe, pelo menos, uma época do ano que traz nossa crise existencial à tona. O mundo vai continuar o mesmo com ou sem o Natal/Ano Novo, mas não nos permitimos terminar o ano com uma tarefa inacabada. Como terminar o ano sem encontrar aqueles amigos queridos? Ora, tivemos o ano inteiro, por que a pressa agora? Para mim, sinceramente, não importa o porquê. Eu só consigo dar graças a Deus que existe o compromisso inadiável de estar perto de quem a gente ama.

Todavia, fechamos mais um ciclo e abrimos outro. O ano foi ruim? Abrace seus amigos, seus filhos, sua família. Vambora renovar as forças para tirar as pedras do caminho, sacudir a poeira e dar a volta por cima. Não foi isso que nos ensinaram? E se o ano foi bom, sim, abrace seus amigos, seus filhos, sua família. Vambora ser mais feliz! E, em todos os casos, anote o número do meu telefone, porque ser feliz e andar para frente é tudo que desejo em qualquer época do ano.

Ai, como estou Polyana. Aproveitem, porque é só em dezembro.

A tradição nos ensina que Cristo veio ao mundo para nos mostrar como amar ao próximo. Porque, a gente sabe que não é nada fácil, principalmente quando se trata de muitos próximos. Em minha defesa, apesar de não amar tantos próximos, os que amo têm de mim tudo que meu coração pode lhes dar. Ou quase isso.

Que dezembro nos contagie o ano inteiro. Que o amor seja sempre o motivo e renove nossas esperanças.
Um feliz Natal para você, para toda sua família, e todo amor que houver nessa vida para nós.

Um dia frio, um bom lugar pra ler um livro…

Nos relacionamentos sempre existem um divisor de águas. Digo, para a mulher, sempre vai existir aquele homem que é referência em sua vida, independente do que sobrou dessa relação. Particularmente tenho alguém que é referência TOP para todos os assuntos ruins. E isso nem tem a ver com gostar dele mais do que tudo no universo. Não sei por que motivo, ninguém foi tão prejudicial à minha saúde emocional quanto ele. No entanto, nada mais no mundo parece ser tão perfeito quando o assunto é sexo.

Não sei qual é a fórmula. Não sei por que tudo parece tão harmonioso. Nenhum outro corpo se encaixa tão perfeitamente ao seu. Não sei se é o universo conspirando. Não sei se é karma. Não sei se é intimidade. Não sei se é química… Mas, sempre tenho a sensação que está faltando alguma coisa quando estou com outra pessoa.

Outro dia eu estava meio decepcionada. Um fulaninho que veio aqui. Desde então prometi a mim mesma que nunca mais traria alguém à minha casa, já que não tenho a opção de ir embora. Ele era ótimo, me diverti a beça, mas… Nada mais que um colega divertido. A noite foi longa… No outro dia eu estava com aquela sensação estranha de que tudo foi mais ou menos e que fiz parte do meu pior pesadelo: dormir mal, com um “estranho” que tomou conta da minha cama e da minha coberta. E, porra, não tinha nem o cheiro gostoso. Uó. Vamos virar essa página, por favor.

No entanto, num dia frio, num bom lugar para ler um livro, alguém chamou minha atenção. Aliás, alguém que sempre chamou minha atenção. Alguma coisa nele mexe com os meus sentidos, como se tudo nele a gente tivesse vontade de experimentar. Não é amor, não é amizade, ele não é muito legal e eu não sei nada direito sobre ele. Ele é aquele tipo que a gente quer chegar perto. E era com ele que eu queria estar. Quebrei a minha promessa e o trouxe aqui. Minha casa, meu mundo, minha cama, meu bom lugar para ler um livro e ele. Não lembro o que a gente conversou. Lembro das músicas que a gente ouviu…e lembro que eu queria que ele ficasse. Os sorrisos eram na hora certa. As mãos sabiam sua hora, seu lugar e aonde ir. Eu estava apaixonada. Eu estava apaixonada por mim…por ele, pela música, pelo vinho, pela minha cama que estava maravilhosa, pela graça dos detalhes, pela sutileza de duas pessoas que queriam estar juntas naquele momento. Dormi com preguiça de acordar e sem saber por que eu tinha que levantar. Fica mais? Passa o dia comigo? Por que ele tem que ir?

Os dias passaram e eu o queria de novo. E de novo. E de novo.

Achei esquisito não ter aquela sensação de que algo estava faltando. O comparei com o TOP, e tinha certeza que o TOP me provaria por A+B, que ele sempre foi o maioral e que sou facilmente influenciável por olhares lindos e momentos apaixonantes, que o outro me deu.

Daí que fui encontrar o TOP. Foi tudo TOP. Tudo perfeito. Era ele, gente! Nessas horas eu sempre tenho certeza de que ele é o amor da minha vida e que isso não vai mudar nunca. Só teve UM problema: foi a primeira vez, com ele, que senti que estava faltando alguma coisa. Quero ir embora dormir sozinha.

Quero meus dias frios de volta.

VIDA: PARTE 2

Depois dos 40 a boa notícia: que sociedade, que nada. Não é ela que banca suas ideias, não é ela que enxuga suas lágrimas, não é ela que conhece suas carências. Você passa, finalmente, a ser dona do seu desejo.

Estou há meses tentando descrever como é chegar à segunda parte da vida: os 40 anos. Até que li esse ótimo (supracitado) texto da Martha Medeiros.

Das certezas que adquiri até agora posso dizer que adoro assistir aos Simpsons (e é o que está na TV agora) e milhares de séries americanas. Coca-cola é a melhor bebida do mundo. Os Beatles são a melhor banda do planeta. As Pontes de Madison foi o filme que mais me fez chorar. Woody Allen é meu diretor favorito, mas há sempre algum momento da minha vida que preciso assistir algo do Almodóvar. Gosto de faroeste. Prefiro os vilões, mas quero me casar com um mosqueteiro. Curto rock. Não gosto de cerveja. Não sou ambiciosa. Adoro conforto. Adoro gastar. Adoro ganhar presentes. Não gosto de dormir fora de casa. E como tenho preguiça…

Nada disso vai mudar.

No entanto, o mundo gira e a gente se transforma. Virei mãe, virei escritora, virei professora. Virei dona de casa, virei adulta. Ando cuidando da saúde. Ando me preocupando com a pele, rugas, flacidez, qualidade de vida. Aprendi a gostar de praia e verde. Passei a tomar remédio pra ansiedade, fiquei mais tolerante, mais tranquila, mas não há remédio no mundo que acalme meu coração quando está apaixonado (também achei essa frase brega). Também passei a achar as pessoas mais bestas, mais narcisistas, mais covardes. Por outro lado, fiquei mais sensível às pessoas de bem. Elas existem. Pode ser que eu mude de ideia amanhã.

Problemas da humanidade não me pertencem, só faço parte dela. Todo mundo é egoísta. Antes eu achava que uns eram mais, outros menos. Hoje não vejo mais assim. Acredito que a diferença entre um egoísta e outro é que uns sabem que são, e outros não. Nossos erros são sempre justificáveis, dos outros não. A gente sabe o que faz, os outros não. Toda tartaruga tem que ser um cachorro, quando a gente precisa de atenção.

Sabe que outro dia me chamaram de velha? Não, não foi simbolicamente. E foi com a mais perfeita intenção de agredir. Mas, pensando bem, sempre fui velha, desde (mais ou menos) os 25 anos, quando meus amigos de infância foram sendo substituídos pelos mais novos, sem filhos e não casados. Mas, desta vez, foi o primeiro momento que me senti velha fisicamente. Sad but true.

Sou meio infantil. Não sei em que parte, mas bom humor sempre foi uma característica. As pessoas envelhecem e param de achar graça em qualquer graça. Não sou brincalhona, não faço piada de tudo, mas acho graça do que tem graça, de graça. O mundo deveria ter mais pessoas como eu. Ou como você. Envelhecer é obrigatório, a graça da vida é opcional.

Bem-vindo à minha segunda parte.

Ronaldinho, meu amor…

Veja bem, não tenho absolutamente nada contra jogadores de futebol, e acredito, sinceramente, que você seja uma pessoa linda por dentro, mas tenho certeza que minha cabeça está completamente fudida a partir do momento que sonho com você como amor da minha vida.

Sabe, trabalho para o Governo do Estado do Rio de Janeiro, e esta semana foi puxada, querido. Sou professora. Ah… sabia não? Pois é. A gente tá lá dando aula, não sei muito bem por que, não sei muito bem pra quem, não sei muito bem como. Se já não bastasse todos os problemas que temos, Governador agora mandou todo pessoal de “apoio” ir embora. Então, agora é noiz sozinho, tudo junto e misturado. Abriu a porta dos desesperados. Falta gente pra limpar, pra cuidar das crianças pelos corredores e pátio. Só não falta gente pra tomar conta da vida da gente, porque assim seria demais, né?

Há mais ou menos uns dois anos tô medicadinha. Aluno manda geral tomar no cu e quer mais que você, sei lá, morra. Mas Governador quer resultado. Vamu lá, galera! E não faz greve não, vagabundo. E não passa o moleque não, pra você ver só. A mãe quebra a escola, manda todo mundo se fudê e Governador tira (mais) seus direitos. Corna. Toma esse remedinho! Não infarta, não!

Amor, desculpa, mas queria ter sonhado com o Gianecchini. Desculpa mesmo? Sério. Você é uma pessoa linda, maravilhosa, e merece alguém que te ame de verdade. O problema não tá com você, tá comigo…

Deixa meu sonho, vai? Deixa outro amor entrar. Tô aqui só pelo dinheiro.

<3

Amor crônico

Amor crônico

Então.

Aí que você gosta de escrever sobre amor, e sente saudade de escrever caquelazamigues de antigamente, e faz o quê? Vambora criar um blog, ué! Outro! E não é que as doidas toparam? Vambora lá visitar a gente? Hoje, inclusive, tem texto meu, mas tem mas um montão legal por lá.

VEM, GENTE!!!

Ow, ow! Mas não esqueçam de mim aqui, hein!

Com que livro?

Outro dia fui à livraria com Marina. Não é um habito, e para falar a verdade, não sei o porquê. Geralmente leio por indicação ou por algum tipo de curiosidade. Mas, como escolher livros infantis? Antes, procurei resenhas pela internet, perguntei a alguns amigos, mas como fazer para entrar numa livraria e não ser arrebatada por aquelas capas lindas da Disney ou as milhares de versões dos irmãos Grimm?

Ano passado a escola pediu um livro para o “Papai Noel” dar de presente a Marina. Comprei um lindo livro de capa dura do Ursinho Pooh, com historinhas fofas, educativas e ilustrações impecáveis. Ela adorou, claro. Daí que este ano resolvi leva-la à livraria para escolher. Ela queria a Barbie, a Branca de Neve, Hello Kitty e aqueles com brinquedinhos. Eu, com meus “50 tons” debaixo do braço, talvez fosse meio hipócrita tentar afastar minha filha de toda essa popularidade enlatada que vem de fora. BUT, a grande diferença entre mim e aquela mocinha que me acompanhava é que EU sei o que estou lendo, e ela não.

Entrar numa livraria com criança é o mesmo que entrar numa locadora e procurar filme nacional. Enquanto ela não desgarrava da Barbie & Cia, fui para seção dos nossos autores. Antes, acho essencial que fique BEM CLARO que acho super boring o discurso “viva cultura nacional!”. TODA leitura é válida, porque com o tempo a gente quer mais, fica mais exigente e crítico. O “problema” dos autores de língua portuguesa é que eles são maravilhosos. Não é para qualquer leitor. Tem que ter vocabulário rico, sensibilidade à criatividade, ler nas entrelinhas. Além das raras exceções, não dá para cair de paraquedas. A gente precisa antes gostar da Branca de Neve, ler quadrinhos (sempre), Capricho, Júlia, Sabrina, Bianca, horóscopo, tudo. O bom e o ruim. No entanto, cá entre nós, já não consumo o bastante? Minha filha não quer mochila, toalhinha, sandália, bolsinha, lanchinho, fitinha, filminho, não sei mais o quê, da Emília ou da Narizinho. No máximo a Mônica é legal, mas o high socity é a Barbie, Monster High, Polly, e eu quero mais é Coca-cola. Então, poxa, vamos dar um break?

Não precisa de curso na França para ler um livro infantil nacional. Se você procurar, há histórias fofas e ricamente ilustradas. A criança julga, sim, o livro pela capa. Infelizmente ela (no meu caso a experiência é com meninA) não vai trocar o brilho gloss das princesas e fadas pelo Saci Pererê ou qualquer personagem do nosso folclore. Mas ela vai se interessar por todo colorido que uma história tem para dar. Não adianta eu comprar uma bananeira no lugar de um pinheiro no Natal, e nem quero. A leitura tem que ser é prazerosa. Devo abrir outros caminhos para ela, orientá-la por outras direções, ter outras perspectivas, mas para ela querer, se animar, ela tem que se interessar, achar atraente.

No final das contas escolhemos “Histórias de bruxa boa”, da Lya Luft. Na verdade ela ACEITOU, já que fora contrariada… queria era mesmice. Contudo, em casa, ela ficou entusiasmada com a novidade e ficava ansiosa a cada historinha. Adorou as bruxas más e rabugentas: Cara de Janela e Cara de Panela. E toda hora me pedia para reler.

Lya Luft

Não acertei ainda comprar livros pra minha sobrinha de 9 anos. Ano passado lhe dei “O Pequeno Príncipe”, achando que ela se encantaria…afinal, é um clássico. Mas, ela nem tchum. O livro está, inclusive, aqui em casa. Nem levou. Houve outras tentativas que também fracassaram. Esse vai ser outro capitulo que vou ter que estudar.

Manuel Bandeira

Canção do vento e da minha vida

O vento varria as folhas,
O vento varria os frutos,
O vento varria as flores…
E a minha vida ficava
Cada vez mais cheia
De frutos, de flores, de folhas.

O vento varria as luzes,
O vento varria as músicas,
O vento varria os aromas…
E a minha vida ficava
Cada vez mais cheia
De aromas, de estrelas, de cânticos.

O vento varria os sonhos
E varria as amizades…

[…]

O vento varria os meses
E varria os teus sorrisos…
O vento varria tudo!
E a minha vida ficava
Cada vez mais cheia
De tudo.

Cinquenta tons de cinza

Taí um livro que você ama ou odeia. Decidi ler, porque não aquentava mais a curiosidade: quem seria esse tão misterioso Christian Grey que as mulheres não param de falar? O que tem de tão sensacional neste livro que tem causado tanta polêmica? Acabei de ler o primeiro da trilogia, e acho que consegui resumir minha impressão numa única frase: o protagonista é um príncipe que FODE. Aliás, que fode COM FORÇA.

Ora, o livro não é nenhuma obra de arte. É meio mal escrito ou, talvez, mal traduzido. Cheio de clichês… O que me lembrou romances que lia quando era adolescente. Todos lindos e inteligentes. Aliás, a mocinha acaba de se formar na faculdade e ELE é um multimilionário lindo de morrer. No entanto, esse gatchenho fofo é um leão sadomasoquista, que cisma com ela, sabe-se Deus lá o porquê. Totalmente hipnotizada (periquita pegando fogo), ela aceita ou não ser submissa a esse homem lindo, que lhe enche de presentes e sexo sensacional? “Proposta indecente” com Robert Redford é molinho. Foi o que pensei.

Se você é feminista, não leia o livro. Se não se envolve com clichês e um texto meia-boca, também não. BUT, se você adora suspirar pelo príncipe encantado que FODE, a hora é essa. Ele é lindo, multimilionário, atencioso, protetor e QUER VOCÊ SÓ PRA ELE, legalmente, inclusive. Casamento? Não. Ele quer que você seja DELE. Se obedecer, ele recompensa com prazeres inimagináveis… mas, se não…é castigada. Muah!

De quebra, ele é loucamente apaixonado por ela. Droga, queria que fosse por mim. Claro que ele não é muito certo da cabeça, tem um passado misterioso e é cheio de merdinha, mas GENTE, eu quero ele pra mim, e é isso que TODAS QUÉ quando lê o livro. Esqueci dos clichês, dos tapas (de cinto!) que levou na bunda por desobedecer, e, claro, meu lado feminista. Mas, cá entre nós, é um ponto de vista interessante. O que as mulheres querem afinal? Será que no fundo é disso que gostamos? Sofrer? Não. Dor física? Não. Alguém que consiga dominar todos os nossos sentidos? Ai, ai, ai. Ao invés de sonhar com famosas cenas de amor, agora sonhamos/imaginamos/idealizamos aquele homem apaixonado que Adora. Foder. Com. Força.?

Olha, acho que isso é uma boa notícia, viu? Pensem nisso.

monte carlo tv festival 090610

Metidinha

Na escola, como professores, sabemos quais são os alunos bons, interessados, que nadam contra corrente. Nosso sonho é separá-los dos demais e coloca-los juntos numa sala só, por uma questão de solidariedade com quem quer aproveitar mais o professor. Claro que não dá para fazer isso. Vem toda qualidade de conselho, a ONU, o Papa, a NASA, enfim, e acaba com a gente. Mas que eu acho que seria LINDO, isso eu acho.

Entenda que esse texto não é sobre escola. O fato é que sou meio elitista. E como boa defensora de mim mesma, que sempre me verei com meus próprios olhos (oi?), acredito que seja por uma boa razão.

“Todo mundo é igual”. Desculpa, mas existe isso não, gente. Todos são biologicamente capazes de desenvolver seu intelecto, porém, por fatores sociais, econômicos, psicológicos, não conseguem. Por isso a Terra foi dividida entre os bons e os…bem, menos bons. Ok, já não sei mais o que estou dizendo, mas, desculpa (de novo), tem gente que não sabe a diferença entre usar um fone de ouvido e não usar, por exemplo. Essa pessoa está dentro do mesmo ônibus, junto comigo, que sei. Ela será uma pessoa feliz pelo resto da vida e eu tomarei remedinhos até os 100 anos, para não atrapalhar sua felicidade.

Dia desses comprei um celular mais moderno, desses que a gente pode brincar o tempo todo. Pude comprar graças à popularização, mas já entendi a reclamação dos metidinhos-que-não-gostam-de-se-misturar-com-a-ralé. Estão fazendo churrasquinho e pagode na minha piscina! Não vou descrever os absurdos, porque não quero ser agressiva com quem se encaixa no perfil, mas, cá entre nós, para de ficar tirando foto de bolo queimado e colocando moldura. Beleza é relativo, mas mau gosto é universal.

A ignorância se acha bonita e não se contenta em se olhar no espelho.

Existe o rico e existe o pobre. Só que informação, conhecimento e bom senso vem tudo junto. O dinheiro não é a moeda. É o interesse e a instrução.

Houve uma época que cheguei a pensar que uma Lady Di da vida que era feliz. Imagina? Só a galera real. BUT, ela lidava com a ignorância do tamanho de sua realeza. Não deve ser fácil lidar com a ignorância que não dá para ser explicada. Do lado de cá, pelo menos a gente sabe. Eu acho.

Bom, vou parar de enrolar e escolher vocabulário, e finalizar com palavras que estão no meu coração: porra, parem. Não precisa de curso na França para NÃO ser enfadonho, inconveniente ou mal educado. PARA de levar farofa para piscina. Ou PARE de ser a farofa.

Mulher solteira (que não) procura

Costumo dizer que quanto mais o tempo passa, mais gosto de ficar sozinha. A gente que tem o próprio espaço, sem vínculos, sem dividir, estranha objetos não identificados. Não tenho hora, compromissos e posso deixar a toalha molhada em cima da cama. Ok, mentira, nunca deixo… mas isso não quer dizer nada. Tudo é uma questão de costume ou de se sentir bem do jeito que achar melhor.

Hoje li um texto do Ivan Martins onde ele nos atenta à sociedade (machista) que não gosta de mulheres independentes (feministas). Mulheres que não são dependentes do homem, emocional ou financeiramente, e que não são bem interpretadas. Ora, não gosto de falar sobre esse assunto, porque absolutamente ninguém acredita em ser feliz sozinho, e qualquer discurso de solteira vai ser despeito, frustração ou uma bandeira levantada, mas preciso deixar meu depoimento.

Mulheres solteiras são coitadas que ninguém quer. Ponto. TODAS. Não há NASA no mundo que pense diferente. É uma discussão tipo dar-no-primeiro-encontro, onde uma pessoa com um mínimo de informação e discernimento tem uma opinião madura a respeito, mas a gente sabe que no final das contas é tudo piranha.

Olhaí minha preguiça.

Entendam que meu sonho é ter uma vida afetiva, dessas assim que eu não precise enlouquecer o tempo todo. Talvez, em algum de seus livros, Freud explique justamente isso: gostar de ficar sozinha, não enlouquecer… Hã? Hã? Estão pensando junto comigo? Mas a sensação de estar apaixonada é maravilhosa e por isso não desistiremos nunca.

“Nunca ouvi qualquer mulher heterossexual dizer que não queria mais homens. Algumas não querem casar ou morar junto, mas isso é 100% diferente de recusar uma relação afetiva.”

Obrigada, Ivan.

Estou tão acostumada a ficar sozinha em casa, que quando estou com alguém, nunca lhe espero para jantar, por exemplo. E cá entre nós: que saco. Esqueci, ora. No meu último relacionamento ele me sugava tanto emocionalmente, que no segundo dia eu pensava: amo muito, mas que bom que vai embora hoje. MORRIA de saudade, mas três dias seguidos e eu já refletia sobre minha existência. Sério. Amaaaaava, como amava… mas viver junto nunca fez muito sentido pra mim. Com ninguém. Bem, não depois dos, sei lá, 17 anos.

Agora vamos imaginar eu, a encalhadona, falando tudo isso no meio de uma galera. Conto não. Melhor falar que dei no primeiro encontro, né? Pelo menos acreditam. Antes piranha do que virgem.

Um suquinho

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Sabe quando você está com aquela vontadezinha de comer alguma coisa e não sabe o que é? Sou eu, com vontade de escrever. Alguma coisinha, lá no fundo, me incomoda, mas… tem gosto de quê?

Acho que a preguiça de escrever vem associada à preguicinha de existir ou à incapacidade de refletir. Sabe olhar um círculo com alguém dizendo que é um quadrado? Ando concordando e achando o quadrado bonito. Que quadrado interessante. Consigo disfarçar o bocejo… E fecho com um sorriso. É isso… preguiça, meu pior pecado capital, atingiu meu cérebro.

Não vou conseguir mudar ninguém, e vice-versa. As pessoas são o que são, e um dia talvez elas cansem e pensem o mesmo a meu respeito.

Aliás, a gente muda sim. Várias vezes. A gente passa por várias fases da vida, seguindo a ordem natural, até chegar ao amadurecimento. E nesse lapso de consciência percebo que amadureci, e finalmente acho tudo uma bobagem. Nadar contra corrente é uma bobagem. Decidi explicar isso.

Entenda que não perdi meu senso de humor, mas algumas piadinhas já perderam a validade. Estou rindo mesmo é de nervoso.

O mundo perfeito não é aquele que desejo. Sou meio cansativa, velha e adoro uma moleza. Mas seria muito legal tomar um suquinho com, sei lá, Paul McCartney.

Um amor de qualquer jeito

Ele era assim, o amor da minha vida. Despertava em mim todos sentimentos mais nobres. Eu não tinha medo. Não tinha medo de ser eu, de ser julgada, porque eu sabia que ele amava minhas chatices e esse meu gênio do cão, quer dizer, amava, digamos, essa minha TPM prolongada. Não éramos nada parecidos, não completávamos frases um do outro e eu nem fazia a menor ideia do que ele poderia gostar de presente de Natal, além de mim, claro, e minha falta de modéstia. Ele me amava, ora. Ele me amava do jeito que eu sou. E eu amava o jeito que ele me amava.

Mas eu não sei amar quem me ama, porque eu simplesmente não sei amar ninguém. Não sei amar o jeito que elas são. Não aceito pessoas que não têm compromisso ou não assumem suas responsabilidades. Não aceito egocentrismo. Não aceito pessoas que não pensam primeiro no outro, porque eu posso fazer o que quiser da minha vida, com o meu corpo, com a minha saúde, mas o som alto incomoda o vizinho. Não aceito amor demais, porque me sufoca. Amizade demais me sufoca. Bondade demais me sufoca. Atenção demais me sufoca. No entanto, amor de menos me deprime. Amizade de menos me frustra. Bondade de menos é maldade. E falta de atenção é abandono.

Ele me amava demais, mas era amor que cabia em mim. Amor que não transbordava, e nem faltava. Era aquele amor que me envaidecia, que me curava e desarmava. E eu o amava muito. Muito. Muito. Muito que transbordava. Em mim.

Não é fácil lidar com o que dá certo. Não é fácil amar direito, porque problemas, mesmo que não existam, a gente inventa. E eu não sei amar ninguém, lembra? Por que isso, por que aquilo, isso não está certo, isso me irrita… Mas ele sempre tinha as palavras certas, nos momentos certos. Sem sarcasmos, sem ironia, sem brigas, sem culpados. E pela primeira vez na vida tive a sensação de que não importava saber amar direito…a gente tinha que amar a pessoa certa.

Um dia a festa acabou, a luz apagou, e eu não conhecia nenhum José. Ninguém conseguia me explicar o que havia acontecido. Naturalmente eu ainda não sabia amar direito. Ainda não aceito as pessoas do jeito que elas são. Não aceito boas intenções. Não aceito verdades construídas em cima de mentiras. Não aceito imperfeição. Não compro o rasgadinho que não aparece.

Não importa o que aconteceu. Não importa de quem é a culpa. Não importa quem apagou a luz. Importa?

Hoje somos meio oi, meio tudo bem, meio o que tem feito de bom.
Viramos assim, amor de qualquer jeito.

Coisas da vida. Coisas de amor de linhas tortas.

True love

Hoje assisti a uma minissérie inglesa que achei interessante. São cinco episódios apenas, cada um com uma história diferente.

Apesar de adorar enlatados americanos, o ritmo inglês (ou qualquer outra obra não-americana), como eles dizem: é adorável. Histórias simples, sem grandes dramas, nem surpresas sensacionais, mas nada óbvio em momento algum.

A primeira história começa com um casal família, super apaixonado. Imaginei logo que por traz daquele bom moço se escondia um filho da puta com uma amante, ou que ela faria esse papel. Nada. Eles eram ótimos mesmo, felizes mesmo, porém, uma ex-namorada-inesquecível surge para bagunçar a cabeça daquele marido exemplar. A ex não era uma piranha insensível, que veio infernizar um pai de família . Ela, infelizmente, sentia saudades dele. E agora?

(suspiros)

Boa.

O que é certo ou errado numa hora dessas? Claro que mulé que dá em cima de homem casado é tudo puta, e se o marido fosse meu, seria uma destruidora de lares que queimaria no mármore do inferno. Ah! AND puta, claro. Mas, no fundo… como a gente lida com o coração da gente quando tudo parece certo no meio de tanta coisa errada? Ou seria o contrário?

Tive pena dos três.

Minha sabedoria leva-me a crer que 99% dos seres humanos são cretinos. Claro que quando a mulher desconfiou, ele a chamou de louca, enquanto, na verdade, fornicava com a pecadora. Quase bocejo, BUT… ele quis ir embora, quis largar tudo, trocar de nome, abandonar a família… e, não foi. Ele era feliz. A ex-inesquecível tinha o papel de inesquecível. Acabou a história. Sua vida já era completa.

Bem resolvido emocionalmente esse cara, não? Essa história de amor verdadeiro, maduro, existe mesmo? Ou seria tudo ficção? Ou as pessoas não são tão cretinas quanto parecem?

Casinha branca

Às vezes você constrói uma casa. Tudo pensado com carinho. Cada cômodo, cada mobília… Você quer sua casa aconchegante, quer receber as pessoas que ama, quer ser feliz.

Com o tempo você vai percebendo que a casa é quente. Percebe que os móveis trazem desconforto por causa do calor… O fogão não está muito bom… Ou a comida fica crua ou queima. Com o tempo aquela casa se torna um pesadelo… Mas é a SUA casa. A casa que você levou tempos para construir… Então tudo é uma questão de paciência. Você compra um ar-condicionado, reforça as telhas, faz uma piscina. Todos os dias você cozinha na esperança de desta vez vai dar certo…se já deu uma vez, por que não vai dar de novo? Mas não dá…ela queima de novo ou ficou crua de novo. Você não entende por que o ar-condicionado não funciona direito. Talvez seja a instalação mal feita. Talvez seja defeito de fábrica… Mas você espera. Vai ver o dia estava muito quente.

Com o tempo a sua casa só te dá tristeza. Mas é a SUA casa. Você não quer vender… Você construiu com tanto carinho… Vai ter um jeito. O tempo vai melhorar. Você vive cada dia… Não dorme, não tem mais paz. Mas você espera, porque o tempo vai melhorar. A comida você vai acertar. Deixa o carpete, porque por mais que 90% dos dias sejam quentes, vai chegar pelo menos um dia de frio.

Você espera o frio. Você espera o tempo da comida. Você pensa em mudar… Você pensa em vender… Mas é a SUA casa. Todo trabalho, todo esforço… Não é justo. Você tem pena de se desfazer do que construiu. E você já se esforçou tanto… Você gastou tudo que tinha. Você tenta todos os dias, mas aquela casa não te faz mais feliz. Não é mais aconchegante. Não parece mais com você. Por quê? Você fez de tudo… Colocar à venda? Melhor esperar alguém que se interesse. Você não pode deixar tudo para trás… São suas esperanças… sua casa…sua vida.

Um dia você acorda suada, com fome e doente.
Escuta…Vai embora…Vai embora! Não adianta… Tudo que você poderia fazer, você já fez. Não espere o tempo melhorar. Não espere a casa voltar ao que era…Você já tentou… Talvez por falta de sorte… Não importa. Vai embora…Não fique com pena do dinheiro que gastou. Não fique com pena das noites sem dormir. Não lamente todo esforço. Vai embora! Mesmo que não tenha para onde ir. Não tente mudar os móveis de lugar. Não tente consertar o que quebrou. Não pense mais no que você pode ter feito de errado… Vai embora! Vai embora agora! Não leve nada com você, não olhe para trás…saiba desistir do que te faz infeliz.

Pessoas vão dizer que você não se esforçou.
Vão dizer que poderia ter tentado mais.
Vão dizer que a culpa é sua, porque não ouviu quem entendia mais que você.
Vão dizer que a culpa é sua, porque você é teimosa.
Vão dizer que a culpa é sua, porque você tinha que ter feito diferente.

Algumas pessoas vão te apoiar, mas nenhuma vai te oferecer abrigo.
Outras não vão saber por onde você anda.
Muitas não vão saber o que te dizer.

Só você pode se ajudar.
Só você sabe o que é melhor para sua vida.
Só você sabe de suas dores.

E só Deus vai te dar forças para começar tudo de novo.

05/03/2007

Sempre teremos Bali

Histórias de amor. Cada uma com suas particularidades. Alguns planejam os nomes dos seus futuros filhos, o casamento ou alguma outra forma bonita – porque histórias de amor devem ser bonitas –  de escrever o “felizes para sempre”.

Uma vez minha história se passaria em Bali. Um dia, eu e o amor da minha vida, iríamos juntos para lá, e no meio daquele cenário paradisíaco teríamos o momento mais mágico da nossa história. Dos planos, não lembro os detalhes, mas o sonho virou parte da nossa realidade: um dia iríamos a Bali. Certeza.

Aquela história de amor acabou, e Bali ficou guardada na estante.

Houve outras histórias, outros cenários. Alguns influenciados por filmes e livros, que ajudam a imaginação. Quem nunca sonhou com Paris ou Barcelona após assistir a algum Woody Allen? Quem nunca sonhou em transformar sua história de amor na mais linda de todas? E seremos felizes para sempre, claro. Porque todo mundo quer ser feliz para sempre com o amor da sua vida, e não custa nada que seja um pouquinho em Paris. Ou seja lá onde for.

Minhas últimas histórias não sobreviveram a tempo de programar ou imaginar cenários. Dia desses vi umas imagens de Bali e lembrei da história guardada na estante. Senti falta do coração aquecido. Como uma boa romântica, sou nostálgica, mas não sinto falta do passado exatamente. Sinto falta de viver histórias de amor, dessas que nos dão asas para sonhar, e, quem sabe, realizar. Dessas que enchem o coração da gente de esperança e de conseguir ver o céu sempre azul ou sempre cheio de estrelas – e ser piegas sem a menor vergonha.

É difícil encontrar alguém que saiba voar com a gente. Normalmente acho que sabendo voar, posso levar o outro comigo. Faço de mim a protagonista e tento fazer do outro apenas mais uma peça do cenário para que meu sonho seja realizado. Pobre garota… Não é assim que funciona. Se o outro não quer, não sabe, não pode, não é você que lhe fará voar. Histórias de amor não são escritas com antecedência. Bem, não assim sozinha.

Coloquei Bali de volta na estante.

Seria mais fácil escolher os nomes das crianças?

Ser ou não ser…

Da última vez que fiquei sozinha em casa me senti gente grande. Fui ao boteco da esquina e comprei um engradado de Ice. Calorzão, casa só para mim, eu, meus pensamentos e Ice. Combinação perfeita para relaxar e deixar a imaginação fluir. Tinha esperança de criar algo sensacional, refletir sobre a vida, existência, paz, amor…algo meio Bob Marley com 5% de álcool.

O resultado disso foi que não escrevi UMA linha, e achei que todas as pessoas do mundo estariam morrendo de vontade de falar comigo ao celular. Não lembro de alguém ter atendido. Talvez porque era madrugada. Talvez porque era Carnaval. Ou talvez porque não queriam mesmo…afinal, o que os ex teriam que ouvir de mim naquele momento tão…tão…inusitado – ou seria inconveniente?

Também vomitei o quarto e o banheiro. Oh, céus. Fiquei deitada na cama me sentindo uma lombriga bêbada e fedida. Achei que morreria sozinha. Pouco digno para uma mãe de família morrer, porque bebeu sozinha, e PIOR: ICE. Aliás, humilhante. Aliás, adolescente.

Hoje estou sozinha em casa. Ao contrário da última vez, permaneço uma mãe exemplar, que passou o dia e a noite inteira deitadinha assistindo aos filmes debaixo de um aconchegante edredom. A chuvinha lá fora conforta ainda mais o cenário. Em momento algum pensei em ser gente grande de novo, digo, adolescente. Pensei em me olhar no espelho para ver se me animo ou reconheço que devo voltar a me cuidar. Conforto é bom, no entanto, se sentir bonita também faz bem. Mas, cá entre nós, estou com preguiça de olhar…sei que vai dar um trabalho danado, e aqui tá tãããão quentinho.

Vou lá ler um pouco mais, para pensar um pouco mais, para ver se existo um pouco mais.