Blá, blá, blá Wiskas Sachê

Durante a minha vida inteira me perguntei por que as pessoas não entendem uma palavra do que eu falo. Cresci, fiz Letras, aprendi a escrever e a escolher minuciosamente as palavras para que a semântica não me traísse. Aprendi a me expressar de forma correta, a escrever o que penso e sinto. Não existe vírgula errada, pontos ou parágrafos mal colocados…E mesmo assim, ainda hoje, ninguém entende uma frase completa.

Infelizmente a gente precisa que as pessoas aprendam a interpretar o que está à sua volta. Infelizmente, sim, porque o meu bem estar muitas vezes depende do que você interpreta sobre mim. É importante, sim, que as pessoas compreendam que você não é o que elas querem que você seja. Quando eu digo que estou magoada, eu estou magoada. Magoada não quer dizer frustrada, não quer dizer triste, não quer dizer coitadinha, não quer dizer com raiva, não quer dizer porra nenhuma que não seja mágoa.

Hoje, depois de uma simples frase bem dita, percebi que não é que as pessoas não entendam… elas simplesmente não ouvem o que não querem ouvir. Clichê demais isso. No entanto, isso deixa de ser clichê quando você se dá conta do que isso realmente significa.

Não adianta falar de honestidade com alguém que não tem. Não adianta usar todo seu português bem estudado ou simplesmente abrir seu coração e mostrar o quanto desonestidade te faz mal. Não adianta tentar sensibilizar as pessoas com aquilo que elas não conhecem. A máscara bem feita que elas usam para amenizar sua falta de honestidade, é a mesma que elas pensam que a gente usa para inventar um estrago.

“Não entro naquele carro idiota” e “não entro naquele carro, idiota” é a mesma coisa. It´s not a big deal!

Não perca seu tempo falando sobre (falta de) educação com alguém que não tem. Não adianta falar de felicidade com alguém infeliz. Não adianta você tentar compartilhar uma vitória com alguém que não seja bem resolvido. Do mesmo jeito que quem não tem filho não entende o esgotamento físico e emocional de quem tem.

Tentar conscientizar alguém sobre algo que ela nunca teve é muito blá, blá, blá Wiskas sachê…

Dia 16: Uma foto de quem te ensinou muitos valores

O problema da honestidade

Olha, não sou a favor da verdade-nada-mais-que-a-verdade. Mal educado aquele que diz o que quer, até porque, provavelmente não perguntei porra nenhuma. (Tô nessa vibe)

Não sei o que isso pode parecer, mas acho que verdade não é, necessariamente, honestidade. Não acho que devo dizer a verdade o tempo inteiro, mas ser integralmente honesto é fundamental. Longe de mim contrariar a bíblia, mas verdades precisam ser ditas quando solicitadas. No entanto, em qualquer tipo de relacionamento (com familiares, amigos, amores, vizinhos etc) honestidade é a base do entendimento. Se você tem algum problema com alguém (qualquer alguém!), seja honesto, converse. Não coloque o outro de castigo para ver se ele aprende e pensa no que fez. Peraí, né? Porra, fica fazendo terrorismo. E também não me venha cheio de verdades, porque eu também tenho as minhas. Vamos conversar.

Por outro lado, existe a ingenuidade da honestidade: “Enquanto eu estava aqui te esperando, tomei liberdade para ir ao seu banheiro, tá? Desculpa, você estava ao telefone, não quis te atrapalhar…”. Como é que eu ia saber que eu viraria a louca que vai ao banheiro dos outros sem avisar ANTES? É muita gente doida nesse mundo, gente. Você NUNCA vai imaginar que aquela pessoa não te atende mais, porque ela acha que você foi extremamente inconveniente em sua casa. Você vai pensar mil coisas, MENOS no dia que você foi ao banheiro.

Sou do tipo que se tenho essas neuroses aviso na primeira oportunidade. Claro que ALGUÉM vai se sentir ofendido, e vai me mandar uma foto de um banheiro que ela foi em PARIS, sem precisar avisar ANTES. Mas, por favor, palmas para ela, que ela merece. Pelo menos agora entendi por que não responde mais meus recadinhos no Facebook. Cada um com suas merdinhas, né? Vou respeitar.

Dia desses fui pregada na cruz por dizer a verdade. Sim, Jesus, entendo perfeitamente a sensação. Achei que estava sendo honesta, mas não estava não. Estava com um monte de “verdade” acumulada. Tudo que eu tinha vontade de dizer a respeito, eu disse. Ninguém me perguntou, mas eu disse. Em minha defesa digo que meu lado honesto não permitiu que eu desmentisse uma vírgula depois do estrago. Não sei se eu estava certa ou errada, mas não queria ter feito tanto estrago. Apesar de que, cá entre nós, achei muito barulho por nada.

Hoje li a frase: “Melhor levar um chute da verdade do que um abraço da mentira”. A primeira coisa que me veio à cabeça foi: dá para alguém me incluir FORA dessa?

Eu sei mentir também, e às vezes faço com mais frequência do que gostaria. Isso contradiz todo meu discurso? Não. Só fica paradoxal, porque sou honesta quando digo que sei mentir, e pratico, inclusive.

Sabe que estou começando a achar que eu seria uma boa advogada?

Anyway, o que a gente pode concluir com isso tudo? Honestamente? Me perdi no meu próprio discurso no meio do caminho. Isso tudo começou porque – metaforicamente falando –   me senti injustiçada por ter sido castigada por levar uma barra de chocolate para um Spa, e ter avisado na portaria. Porra, sacanagem. Eu estava sendo honesta… Não precisa revistar minha bolsa.

Droga.

Sobre amizade

Dizem que escrevemos melhor quando estamos tristes. Não é uma regra, mas devo concordar. Eu, por exemplo, normalmente sinto mais necessidade de escrever quando estou magoada ou quando preciso justificar para o “mundo” que minhas atitudes e pensamentos têm fundamento. Chato isso.

Escrever é uma forma de ser ouvida e não ser interrompida.

Mas, não é minha intenção gerar um texto metalinguístico (gostaram?). Não é sobre nada disso que pretendo falar hoje. Comecei com a intenção de tentar descobrir o porquê escrevemos tanto quando estamos com o coração cansado. Por que as pessoas se identificam tanto comigo quando estou abatida? Não é injusto?

Agora pense numa pessoa querida. É! Qualquer uma! Tenho a péssima mania de me sentir vítima desse mundo esquisito que a gente vive. Por que não consigo simplesmente abstrair tudo aquilo que desaprovo/que me faz mal, se eu tenho coisas muito mais construtivas para contar? Acho falso quem é feliz o tempo todo, mas sabe…eu tenho amigas sensacionais, que me fazem feliz o tempo todo. Bem, não assim o tempo todo, porque agora cismaram de tomar meu último gole de Coca-cola. Traumático.

Dia 15: A foto de um irmão/irmã de alma

O desafio de hoje é falar das pessoas que só nos fazem bem. Difícil para quem é dramática e vítima do mundo. Mas, pensando bem…

Sabe aquele dia que caí no fundo do poço, e já estava descendo o primeiro degrau? Sim, eu fui socorrida. Se saí do fundo do poço? Não, mas tive com quem conversar… Eu precisava que alguém me ouvisse chorando. Só isso. É…a gente precisa saber que não está sozinha. Ela foi um desses anjos que Deus coloca em nossas vidas, que consegue nos fazer lembra o quanto estamos acima de tantas coisas que o coração não tem deixado a gente ver. Aquela amiga que te lembra tudo que você esqueceu que é.

Outro dia, por intermédio de outras pessoas, apareceu uma senhora na minha vida, que se disponibilizou em me ajudar com um probleminha burocrático que andava tirando meu sono há alguns dias. Uma senhora, que faz tratamento sério de saúde, se disponibilizou vir até a mim e me ajudar pessoalmente. E mesmo doente, ela me pareceu a pessoa mais cheia de vida que já conheci até hoje.

Sim, as pessoas são más e eu tenho medo delas. Porém, maior que toda essa maldade é a bondade de quem está perto. Se de repente tudo parece ruim, é de repente que a gente também se surpreende, e aprende a se equilibrar no mundo.

Também sou acusada de ser má às vezes. Quanto a isso, ainda não tenho explicação, mas tenho certeza que muito maior que qualquer (suposta) maldade foi a intenção de acertar. Bem, algumas vezes nem tanto. E, claro que só estou justificando. Ninguém se sente má assim por querer.

Bem-vindo, 2012

Ok, preciso dizer para vocês que meu ano de 2011 foi uma MERDA. Decidi começar meu texto com essa frase impactante, simplesmente porque não tinha outra forma de expressar ou definir em apenas uma frase o decorrer de um ano INTEIRO.

Comparando com problemas que atingem a humanidade, sou mero grão de areia. Mas, vocês precisam saber que, sim, as pessoas adoecem emocionalmente. Passei o ano de 2011 com a cabeça completamente fudida. Através de outros olhos ganhei vários adjetivos, todos ofensivos ou depreciativos, afinal, não fui capaz de realizar uma tarefa completa. Larguei pós-graduação, projetos, minha casa ficou às moscas e não conseguia mais trabalhar. Os remédios me ajudaram a não chorar 24h por dia, mas falhei em todas as tentativas em fazer algo por mim.

A gente não precisa de crítica negativa para ter consciência que precisar andar para frente, entende? Isso é chutar cachorro morto. Tive dias felizes, sim, mas quando não conseguia pensar em absolutamente nada sobre a minha existência. Aqueles dias que a gente conversa com alguma amiga(o) que adora sorrir. Eu também gosto! Se você se preocupa comigo, querida(o), me faça sorrir! Não fale nada que não me faça abrir um sorriso, a não ser que eu te pergunte. Aliás, isso deveria estar no estatuto dos direitos humanos.

Certa vez fui atropelada. Fiquei alguns segundos inconsciente, sem saber o que havia acontecido, no entanto percebi que estava caída no meio da rua e não conseguia levantar. Não conseguia gritar por socorro e nem me movimentar, mas tinha consciência que um outro carro poderia me atropelar de novo se não conseguisse sair dali. Alguém me ajudou, me levou para calçada… eu estava consciente, mas não sabia direito o que estava acontecendo. Dei o número da casa dos meus pais para alguém me buscar e levar ao médico, porque tudo doía. Pensaí.

Com a chegada de um novo ano, renovo meu coração de esperanças. Que eu pare de me sentir culpada por tristezas que não me pertencem. Que eu me cobre menos lealdade. Que eu não tenha necessidade de tantas verdades. Que eu mantenha serenidade com o que não entendo ou não se explica. Que eu tenha sabedoria com o que não me acrescenta. Que eu tenha paciência com a ignorância. Que eu aprenda a ver com o olhos, e menos com o coração. Que eu seja menos emotiva, sem perder a sensibilidade. E principalmente: que eu aprenda que conviver comigo mesma é super fácil. A gente nasce dinamite, e quem nos ama sabe nos manter em temperatura adequada. (li isso hoje em algum lugar)

No fundo acho que reclamo de barriga cheia, porque tenho todos os motivos para ser feliz todo dia. Não quero ser mal agradecida e nem parecer infeliz. Na verdade, em 2011 não tive motivos para ser infeliz. A angústia veio da sensação de ser sempre a pessoa errada, no lugar errado, quem sabe, no planeta errado. Acontece.

Burguesinha?

Sim, sou consumista. “Nossa, você é consumista!” dizem, olhando nos meus olhos, como se essa fosse A descoberta. Até seria se vivêssemos, sei lá… em Marte? Difícil nesse mundo é saber quem não é. Não sou compulsiva ao ponto de não resistir um aparador de pelos para o nariz, mas, sim, claro, já aconteceu de comprar algo que não servia para absolutamente nada. O que também não é novidade alguma.

Quem nunca comprou aquele sapato lindo, naquela loja caríssima, que estava com até 70% de desconto? Aí, você se acha super safa, espertona, que conseguiu comprar um sapato daquela loja sensacional por aquele precinho maravilhoso. Porém, naquele dia que você planejava sair e arrasar com AQUELE sapato, percebe que NADA combina com ele. E nunca combinará.

Mas, confesso que minha superioridade intelectual não permite que eu seja modesta quando faço uma boa compra, ou seja, conseguir barato o que parece caro ou o caro por um preço barato. Pura genialidade matemática.

No entanto, o ponto interessante no meu consumismo, não é minha genialidade matemática. Esse foi um esquema que inventei para confundir o seu cérebro, porque a verdade verdadeira, meus amigos, é que não há nada nesse mundo que eu ache realmente caro. Na minha cabeça há o que posso ou não comprar. Ou se estou disposta a pagar.

Minha cabeça é milionária. Só minha conta que é negativa.

Não tenho cartão de crédito, porque simplesmente não há a menor possibilidade de eu andar com essa arma suicida. O que eu tiver vontade de comprar, eu compro. Se passo por uma confeitaria linda de morrer, já me imagino lá dentro tomando um café, apreciando a vista para o mar. Daí que descubro, já sentadinha, me sentindo uma rainha, que  o café custa R$ 100,00. Pensa. Se eu tiver cartão, eu tomo o café, nêga. Nem ligo. Posso até perguntar ao garçom por que aquele café é tão caro, mas QUALQUER historinha que ele me contar vou achar superinteressante.

Percebem?

Dia 14: A figura de um sonho de consumo

Acredito até que isso aconteça em outros setores da minha vida. Costumo sempre pagar para ver. Às vezes minhas apostas custam muito. Às vezes eu perco. Às vezes eu ganho. Às vezes não combina com nada. Mas o bom mesmo é pagar caro por aquilo que vale cada centavo.

Presente, professora!

Ok, vamos “matar” logo esses três dias e acabar com a minha agonia. Vocês querem falar de escola? Ok, então sobre escola iremos falar.

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Dia 11: Uma foto de algo que lembre seu Ensino Fundamental

Dia 12: Uma foto que define sua faculdade, ou a que quer fazer

Dia 13: Um foto da sua profissão

Sempre odiei. Verdade. Escola, para mim, era um pesadelo. Primeiro, porque tinha que acordar cedo. Oh, Deus, por favor não! Já contei para vocês que nasci dormindo e só chorei cinco minutos depois? Outro dia conto, mas não espere que eu goste de QUALQUER COISA até, pelo menos, às 10h da manhã. Se levei cinco minutos para chorar quando nasci, você acha meu cérebro leva quanto tempo para começar a funcionar depois que meus olhos abrem? (nunca mais?)

Na verdade, apesar da minha “pouca simpatia” pela escola, não fui uma aluna-problema e nem dei trabalho a ninguém. Era boa aluna, me comportava direitinho e ganhava a simpatia de alguns professores com alguma conversa fiada. Contudo, por trás daquela menininha boazinha e simpática existia alguém que queria MORRER RÁPIDO, principalmente nas aulas de Química, Matemática e Biologia. Juro que eu sentia que meu corpo desfalecia suavemente enquanto meu cérebro virava gelatina de, sei lá… CU?

Aí, disseram que eu teria que estudar mais para ser alguém na vida. Então, depois de uma história longa e enfadonha, decidi fazer Letras. Quem gosta de escrever, ler e artes faz Português AND Literatura, claro. Lá fui eu para faculdade e foi tudo sensacional. Não acordava cedo, fazia meus horários, fora que a gente só estuda o que gosta, né? Daí, que tudo se torna bem mais fácil e interessante. Fora algumas aulas que morreram (eu não mato nada) no caminho, fui uma ÓTIMA aluna e tive excelentes notas. Obrigada, obrigada. E, apesar dos apelos das melhores amigas ever, me formei antes de todo mundo, ignorando solenemente os sentimentos daquelas atrazildas.

Mas, e agora, José? Já me formei… e aí? Sim, vá trabalhar, menina! Não foi para isso que você estudou? Sim, mas agora eu sou professora! José aponta para mim e ri: VOLTA PARA SALA DE AULA!

Sim, voltei. Mas de lá pra cá os tempos mudaram. Antes os alunos só queriam morrer… Agora eles tentam nos matar. Tá bom… Tá bom… Não vou falar sobre a probabilidade de um dia enfartar. Gosto de dar aula, e, sim, vale a pena fazer parte da história de alguém… A sensação de ter o “poder” de fazer a diferença no mundo (e por que não?) é edificante. Se não fosse o sistema (não falemos nele) eu me arriscaria em dizer que é a melhor profissão do mundo. Descobri que também há alunos inesquecíveis, e que complementam nossa história.

Mas, agora a gente pode parar de falar de escola? PORRA, EU TÔ DE FÉRIAS!

Versinho

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Eu, que tenho em meu sorriso toda felicidade do mundo.
Eu, que abro mão de mim sem me perder.
Eu, que preciso de silêncio e sou feliz sem ele.
Eu, que tenho calos nos pés.
Eu, que nunca sei o caminho, mas a direção está sempre certa.
Eu, que sou chamada de louca quando me sinto mais sã.
Eu, que não abro mão.
Eu, que não sei pedir.
Eu, que sempre paguei para ver.
Eu, que sei mentir.
Eu, que nunca tive medo de ninguém.
Eu ainda tenho um sonho secreto…
Um sonho ingênuo e secreto:
Que um dia eu pare de chorar por você não estar perto.

Família

Às vezes tenho dúvidas de onde saiu, mas, apesar das controvérsias, família é coisa de Deus mesmo. Só Ele pode tocar nossos corações e nos encher de amor, porque OLHA.

Família é coisa abusada. Acha que pode se meter na sua vida, fala o que quer na sua cara, pega suas coisas (inclusive na geladeira!) sem pedir… e tudo isso seria esquisito, se eu não fizesse o mesmo. Não consigo ficar dois dias longe, mas é enlouquecedor ficar dez minutos com todos eles no mesmo recinto. Cada um fala um assunto diferente AO MESMO TEMPO.

A sua é assim também? Acho que família é tudo igual. Só muda o psicanalista.

Eu sou a mais “cheia de merdinha” ou a “chata pra caralho”, mas acho injusto ganhar esse título sozinha. No Natal deste ano (digo, do ano passado), prometemos não usar adjetivos repetitivos (como nos anos anteriores) para descrever nosso amigo-oculto antes de revela-lo. Faríamos diferente: deveríamos revelar sua característica marcante, porém as palavras “chato”, “maluco” e “irritante” estavam proibidas. Até que foi engraçado. Marina foi a primeira, e disse: “A minha amiga-oculta é a mais linda dessa família e a que me ama mais que tudo no mundo”. Muito fácil: eu, claro. Comprei meu presente, lhe ensinei o discurso, e como uma ótima mãe, não ensinei mentira alguma.

Temos problemas, como em todas as famílias. Não pretendo fazer discurso algum. Temos nossos traumas, nossas divergências, mas se família às vezes parece nosso pior pesadelo, é acima de tudo, a nossa casa. Se tem hora que dá vontade de mandar todo mundo se #@#%$, não há nada melhor no mundo do que a nossa casa, mesmo que não seja necessariamente na mesma casa.

Dia 10: Uma foto antiga da sua família

Ler para crer

Acredito que meus amigos já saibam dessa história, e provavelmente já mencionei em algum texto, mas hoje estou aqui para contar como uma adolescente que só gostava de música, aprendeu a se encantar por leitura.

Não fui nadinha precoce, como vocês podem perceber. Antigamente – sim, hoje em dia uso essa palavra que meus pais usam desde que eu era criança – livros eram oferecidos na porta de casa. Algum vendedor aparecia com alguma coleção e oferecia o pagamento em suaves prestações. Sem isso de SPC, SERASA, cheques etc. Marcava uma data, e todos os meses o vendedor buscava seu pagamento religiosamente.

Meu pai achava elegante ter tantos livros na estante da sala. Não sei se ele tinha noção do valor histórico ou intelectual de tudo aquilo, mas os arrumava harmoniosamente na estante ou prateleiras na sala. Até me interessei por uma coleção de “educação sexual”, já que minha mãe não se sentia muito à vontade em conversar “coisas de mulher”. E nem estou falando de sexo, não. Imaginem.

Um dia, entediada, fui procurar um livro para ler, morrendo de medo de me entediar mais ainda. Decidi escolher o mais fininho… “O retrato de Dorian Gray”, Oscar Wilde. O que para mim era uma mistura de nada com coisa alguma ou nunca vi mais gordo, virou coisa de outro mundo. Como assim o retrato envelhece no lugar do cara?! SENSACIONAL. Desde então, não tive medo dos livros mais pesados. “Germinal”, de Èmile Zola e “Os três mosqueteiros”, de Alexandre Dumas ainda fazem parte da minha Top list.

Não me lembro de haver literatura brasileira. Essa curiosidade veio com o tempo, através de indicações de amigos.

Todos os livros que a escola indicava, eu odiava. Não tive um incentivo direto dos meus pais, porque eles também não tinham o hábito de leitura. Mas, Oscar Wilde, conseguiu encantar uma adolescente que não gostava de ler. Interessante que eu não o indicaria como incentivo à leitura. Acho que o que aconteceu entre nós foi o momento certo na hora certa. Ainda lembro do meu coração disparando quando o próprio Dorian Gray percebeu o primeiro sinal de envelhecimento, no seu rosto, no próprio retrato.

Genial.

 Dia 9: A foto de alguém que marcou a sua vida

 “As mulheres não sabem o que querem, e não dão descanso, enquanto não recebem aquilo que querem.” Oscar Wilde