Dezembro, seu lindo

161840581Ah, como adoro dezembro. É o mês da esperança, das férias, da família, do amor. É o mês que traz de volta a sensação de poder recomeçar, corrigindo nossos erros e aguardando novas oportunidades. É o mês que, de repente, somos preenchidos pela necessidade de ser solidários, de perdoar, ou quem sabe, SE perdoar.

A pergunta enigmática é: por que somos arrebatados por toda essa bondade, sensibilidade, apenas nessa época tão comercial do ano? Como uma boa consumista, sou facilmente convencida de que todas as pessoas que amo merecem um presente especial, principalmente eu. A gente gasta rios de dinheiro, inclusive o que não tem, para se sentir mais feliz e em harmonia com o mundo. Um plano friamente calculado.

Mas, cá entre nós, na boa: ainda bem. Ainda bem que existe, pelo menos, uma época do ano que traz nossa crise existencial à tona. O mundo vai continuar o mesmo com ou sem o Natal/Ano Novo, mas não nos permitimos terminar o ano com uma tarefa inacabada. Como terminar o ano sem encontrar aqueles amigos queridos? Ora, tivemos o ano inteiro, por que a pressa agora? Para mim, sinceramente, não importa o porquê. Eu só consigo dar graças a Deus que existe o compromisso inadiável de estar perto de quem a gente ama.

Todavia, fechamos mais um ciclo e abrimos outro. O ano foi ruim? Abrace seus amigos, seus filhos, sua família. Vambora renovar as forças para tirar as pedras do caminho, sacudir a poeira e dar a volta por cima. Não foi isso que nos ensinaram? E se o ano foi bom, sim, abrace seus amigos, seus filhos, sua família. Vambora ser mais feliz! E, em todos os casos, anote o número do meu telefone, porque ser feliz e andar para frente é tudo que desejo em qualquer época do ano.

Ai, como estou Polyana. Aproveitem, porque é só em dezembro.

A tradição nos ensina que Cristo veio ao mundo para nos mostrar como amar ao próximo. Porque, a gente sabe que não é nada fácil, principalmente quando se trata de muitos próximos. Em minha defesa, apesar de não amar tantos próximos, os que amo têm de mim tudo que meu coração pode lhes dar. Ou quase isso.

Que dezembro nos contagie o ano inteiro. Que o amor seja sempre o motivo e renove nossas esperanças.
Um feliz Natal para você, para toda sua família, e todo amor que houver nessa vida para nós.

Artes vitrais

Mesmo quando tudo pede
Um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede
Um pouco mais de alma
A vida não para…

Todo mundo já se quebrou em milhares de pedaços diversas vezes. Esses cacos a gente consegue juntar um por um tentando criar uma nova arte. São pedacinhos da gente que precisam de encaixes diferentes para que tenhamos a sensação do novo, do poder recomeçar e se refazer.

Atualmente encontro-me recompondo, recriando meus caquinhos, um por um, tentando achar simetria, beleza ou algo que me traga a sensação de que está tudo novo de novo.

Não é fácil se reconstruir com a autoestima dilacerada. Não é algo que me sinto à vontade em expor, mas o maior inimigo da fé somos nós mesmos, que sabemos muito bem que é mais fácil juntar todos os cacos e jogar fora do que recomeçar. Já desisti de muitos sonhos, caminhos… mas, por incrível que pareça (ou por sobrevivência), não consegui ainda desistir de mim.

Estou aqui olhando meus montes de cacos no chão. Tenho a sensação de que meus tão delicados cacos são de vitrais coloridos e que meu cuidado ao recompor resultará em alguma obra de arte. Algo que possa fazer com que esses pequenos espelhinhos consigam refletir a luz que timidamente prefiro esconder.

Uma amiga fez uma viagem recentemente, e, contagiada desde então, vivo com a impressão de que ela foi se catar por. Nada como lidar com si mesma, ter a oportunidade de se ouvir e ver que existe um mundo muito além de nós. Além desses nossos medinhos infames, dessas nossas besteirinhas e dessa chatice, sujeira, mesmice, má fé e ignorância coletiva, que nos cercam involuntariamente todos os dias.

É preciso ter paciência. A minha pressa de ser feliz fez de mim uma arte mal feita. Por mim.

Ainda bem que percebi a tempo, acredito. Ainda bem que acredito.

Enquanto o tempo
Acelera e pede pressa
Eu me recuso faço hora
Vou na valsa
A vida é tão rara…
(Lenine)