Ser ou não ser…

Da última vez que fiquei sozinha em casa me senti gente grande. Fui ao boteco da esquina e comprei um engradado de Ice. Calorzão, casa só para mim, eu, meus pensamentos e Ice. Combinação perfeita para relaxar e deixar a imaginação fluir. Tinha esperança de criar algo sensacional, refletir sobre a vida, existência, paz, amor…algo meio Bob Marley com 5% de álcool.

O resultado disso foi que não escrevi UMA linha, e achei que todas as pessoas do mundo estariam morrendo de vontade de falar comigo ao celular. Não lembro de alguém ter atendido. Talvez porque era madrugada. Talvez porque era Carnaval. Ou talvez porque não queriam mesmo…afinal, o que os ex teriam que ouvir de mim naquele momento tão…tão…inusitado – ou seria inconveniente?

Também vomitei o quarto e o banheiro. Oh, céus. Fiquei deitada na cama me sentindo uma lombriga bêbada e fedida. Achei que morreria sozinha. Pouco digno para uma mãe de família morrer, porque bebeu sozinha, e PIOR: ICE. Aliás, humilhante. Aliás, adolescente.

Hoje estou sozinha em casa. Ao contrário da última vez, permaneço uma mãe exemplar, que passou o dia e a noite inteira deitadinha assistindo aos filmes debaixo de um aconchegante edredom. A chuvinha lá fora conforta ainda mais o cenário. Em momento algum pensei em ser gente grande de novo, digo, adolescente. Pensei em me olhar no espelho para ver se me animo ou reconheço que devo voltar a me cuidar. Conforto é bom, no entanto, se sentir bonita também faz bem. Mas, cá entre nós, estou com preguiça de olhar…sei que vai dar um trabalho danado, e aqui tá tãããão quentinho.

Vou lá ler um pouco mais, para pensar um pouco mais, para ver se existo um pouco mais.

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