Vida após a morte

Dos meus 42 anos de vida, há dois meses vivo sem o meu pai. Ele teve uma série de complicações, inofensivas a princípio, que em uma semana debilitaram seu corpo – frágil pelo tabagismo -, que resultou numa parada cardíaca.

Não vivíamos na mesma casa há aproximadamente uns 5 ou 6 anos, mas nunca saí de perto. Minha casa é exatamente em frente à casa dos meus pais. Desses 42 anos, convivi com eles todos os dias da minha vida. Raríssima exceções por alguma curta viagem. Todos os meus aniversários, dos meus irmãos, dos nossos filhos, todas datas comemorativas.

Há dois meses minha mãe não convive mais com seu marido, juntos há quase 50 anos. Há dois meses eu e meus irmão não temos o nosso pai. Não vou enfeitar o texto mostrando o quão maravilhoso ele era. Ele também era chato pra caralho. Mas tenho certeza que ele cumpriu com muita competência o seu papel, com todo amor e dedicação que um pai deve ter. E hoje estamos aqui com a sensação de que a vida que a gente tinha acabou, e que daqui para frente é um tudo de novo.

Tenho a impressão que luto não é dor. Luto é um estado de espírito que vai além de todas as dores que você já sentiu ou imaginou que poderia sentir. É algo além das emoções. Não é tristeza… É falta de vida dentro de nós. A vida que tivemos até hoje, morre. Eu já havia perdido algumas pessoas muito queridas, mas nunca alguém que fazia parte de mim. Já tive perdas materiais e emocionais. Já me senti humilhada, devastada. Já fiquei sem esperanças, sem direção, sem amor. Mas, nunca, nunca havia me sentido sem vida. No entanto, existe vida a nossa volta. Tudo continua igual e nada parou de funcionar. Só você.

Lidar com o mundo passou a ser um (re)aprendizado. As pessoas perguntam se está tudo bem. Costumo dizer que sim, mas a verdade é que eu não faço a menor ideia. Eu tenho que reconceituar minha vida pra saber.

Nós fomos imensamente acolhidos pelos amigos e familiares. Minha mãe recebeu visitas a semana inteira. Particularmente, rejeitei tentativas de aproximação: telefonemas, encontros, visitas, mensagens. Algumas respondi, mas, de todo coração, não sei qual foi o critério. Sei que muitos, se pudessem, até me pegariam no colo… Mas, eu só queria ficar sozinha e em silêncio.

Porém, existe um outro lado das boas intenções, que não posso deixar de alertar. Talvez por não saber ao certo o que nos dizer, alguns recorrem às religiões para tentar nos consolar. Preciso lembrá-los que geralmente os enlutados têm sua própria religião e estão lutando com ela. O melhor é dar um abraço e se mostrar solidário e amigo. Não chova no molhado, mesmo que seja de coração ou porque não encontrou palavras melhores. Não sabemos os planos de Deus, mas foi melhor assim. Deus sabe de todas as coisas. Ele agora está melhor. Com o tempo você se acostuma. Lembro de estar sentada na calçada de casa chorando, uma vizinha que não conheço muito bem, parou para me dar um abraço e dizer que meu pai era muito querido, que lamentava muito, mas que, por favor, era pra eu parar de chorar, porque era muito pior para ele se desligar da Terra. Tá bom? Tá bom. (TEU CU)

É verdade também é que a gente perde um pouco a fé, mas isso faz parte da falta de vida que disse ali em cima. Eu acredito em Deus, e quando tenho oportunidade, falo da minha fé. Quando meu pai faleceu, eu disse para Ele que não me revoltaria como muitos fazem. Disse que estava ciente de que um dia eu passaria por isso, que essa era a lei da vida e que nosso (eu e Ele) relacionamento ainda estava de boa. Só que… levei mais de um mês para falar com Ele de novo.

Há dois meses eu choro todos os dias, por motivos diferentes. É uma readaptação muito lenta. Tentamos não nos deixar levar e também a tentar lutar por nós mesmos. Eu ainda falo dele todos os dias, mas sem medo. Lembrar e falar do meu pai JAMAIS deverá ser uma tristeza. A saudade esmaga a gente e é com ela que a gente luta.

Tenho lido alguns livros que falam sobre espiritualidade. Curiosidade de saber como ele pode estar “vivendo” num outro lugar. Se pode nos ver ou estar por perto. Se está bem, se está feliz, se estão cuidando bem dele.Ninguém e nem nada nesse mundo pode censurar o meu choro, mas entendo que, independente de religião, o melhor, inclusive para nós mesmos, é lembrar dele com muito amor e alegria. É muita pretensão achar que cuidaríamos melhor do meu pai, mas mesmo assim sempre peço a Deus que cuide bem dele por nós, e que transmita todo amor que a gente sente.

Enquanto isso, por aqui a gente tenta manter o seu legado. Queria contar pra ele o que a gente tem feito. Aliás, pai, hoje eu coloquei o rejunte no box. Aquele que você deixou aqui e disse para eu fazer porque era facinho. Fiz igual a minha cara. Você faria melhor, mas… nosso lema é fazer mesmo sem saber, porque no final Deus ajuda e a gente sempre acerta. Ou não. :-P

Às vezes penso que poderíamos ter feito diferente. Todas as vezes que ele foi ao médico e este determinou repouso, que deveríamos ter arrumado um jeito de amarrá-lo em algum lugar. Ele subia na casa pra olhar a caixa d’água, ia à mercearia e trazia peso, mudava os móveis de lugar, ia bater perna na rua. Não adiantava brigar. Ninguém mandava nele. O que me consola é que ele sempre foi dono da sua vida.

A morte existe.E ela não leva apenas quem se foi. A gente fica aqui num tipo de realidade paralela, reaprendendo, reconceituando, sobrevivendo.Sei que vai chegar um dia que não teremos aquela pontinha de angústia ao reunir toda família. Sei que nossos filhos darão (mais) sentido às nossas vidas, ao nosso trabalho, às festas e em algum momento tudo volta algo que seja próximo ao “normal”.

Às vezes quero acordar desse pesadelo, que se tornou vida.

Que Deus nos ajude a voltar a sonhar.

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Prefiro evitar a fadiga

Não, eu não me importo se eu ligo e não atendem. Não me importo se mando uma mensagem e não respondem. Desde aquelas que levei 3 horas escolhendo palavras para enviar duas linhas – e recebi “risos” como resposta, e nem era engraçado – , até às mais ignóbeis. Não me importo se dei muita atenção a algo que só me trouxe frustração. Às vezes até acho que a vida é uma merda, e que pena que o mundo não gira em volta do meu umbigo, mas… prefiro evitar a fadiga.

Não destrato atendentes imbecis. Aliás, não destrato imbecis no geral. Não pela minha superioridade intelectual, não porque sou cristã, não porque sou paciente. Apenas prefiro evitar a fadiga. Em tempo: infelizmente nem sempre dá para falar o que se tem vontade… Mas, se você falar primeiro, eu topo.

Ponto de vista. Não faça como eu: não tente defender, porque é a maior perda de tempo de todos os tempos. Ninguém muda de opinião. Ninguém muda o comportamento. Ninguém muda. Aliás, eu não mudo.

Jamais sou mal educada. Nem em dias quentes. Pode ser que um dia eu não consiga medir as palavras, como de costume. Pode ser que um dia eu seja direta ao invés de dizer que seu ponto de vista é interessante. Pode ser que eu já tenha usado todas as palavras educadas do meu limitado vocabulário, e que a vida só tenha te ensinado a ouvir na porrada. Mas, sinceramente, eu prefiro evitar a fadiga.

Babaquice. Contando que não me inclua, tô só observando. Chato é que todo babaca gosta de atenção.

Sabe, eu tenho muita conta para pagar. Muita. Por três motivos: primeiro, porque sou descontrolada. Segundo, porque eu acho que sou milionária e essa sensação nasceu comigo. Terceiro, porque eu realmente preciso. Então, enquanto alguém não responde uma mensagem, não me atende, me trata mal ou fica de babaquice, eu estou recebendo uma conta para pagar. Só nesta frase já foram quatro. ISSO me consome.

Em resumo, tento fazer da minha vida um extrato simplificado. Só presto atenção no saldo. Fiz essa analogia ontem no boteco. Sei que vocês perceberam… Mas, me achei muito inteligente.

No entanto, há os dias que por mais que eu tente não compactuar com o caos que a gente costuma ser, não dá certo. Sabe por quê? Porque, infelizmente, eu não sou imune. Impossível não se importar por tanto tempo com aquilo que me agride. Por mais que eu tente varrer o lixo, ele existe. Por isso, evite ser um imbecil, mal educado, babaca e insensível perto de mim. Me dá aí uns quinze dias. Não ando evitando a fadiga.

Ronaldinho, meu amor…

Veja bem, não tenho absolutamente nada contra jogadores de futebol, e acredito, sinceramente, que você seja uma pessoa linda por dentro, mas tenho certeza que minha cabeça está completamente fudida a partir do momento que sonho com você como amor da minha vida.

Sabe, trabalho para o Governo do Estado do Rio de Janeiro, e esta semana foi puxada, querido. Sou professora. Ah… sabia não? Pois é. A gente tá lá dando aula, não sei muito bem por que, não sei muito bem pra quem, não sei muito bem como. Se já não bastasse todos os problemas que temos, Governador agora mandou todo pessoal de “apoio” ir embora. Então, agora é noiz sozinho, tudo junto e misturado. Abriu a porta dos desesperados. Falta gente pra limpar, pra cuidar das crianças pelos corredores e pátio. Só não falta gente pra tomar conta da vida da gente, porque assim seria demais, né?

Há mais ou menos uns dois anos tô medicadinha. Aluno manda geral tomar no cu e quer mais que você, sei lá, morra. Mas Governador quer resultado. Vamu lá, galera! E não faz greve não, vagabundo. E não passa o moleque não, pra você ver só. A mãe quebra a escola, manda todo mundo se fudê e Governador tira (mais) seus direitos. Corna. Toma esse remedinho! Não infarta, não!

Amor, desculpa, mas queria ter sonhado com o Gianecchini. Desculpa mesmo? Sério. Você é uma pessoa linda, maravilhosa, e merece alguém que te ame de verdade. O problema não tá com você, tá comigo…

Deixa meu sonho, vai? Deixa outro amor entrar. Tô aqui só pelo dinheiro.

<3

Um amor de qualquer jeito

Ele era assim, o amor da minha vida. Despertava em mim todos sentimentos mais nobres. Eu não tinha medo. Não tinha medo de ser eu, de ser julgada, porque eu sabia que ele amava minhas chatices e esse meu gênio do cão, quer dizer, amava, digamos, essa minha TPM prolongada. Não éramos nada parecidos, não completávamos frases um do outro e eu nem fazia a menor ideia do que ele poderia gostar de presente de Natal, além de mim, claro, e minha falta de modéstia. Ele me amava, ora. Ele me amava do jeito que eu sou. E eu amava o jeito que ele me amava.

Mas eu não sei amar quem me ama, porque eu simplesmente não sei amar ninguém. Não sei amar o jeito que elas são. Não aceito pessoas que não têm compromisso ou não assumem suas responsabilidades. Não aceito egocentrismo. Não aceito pessoas que não pensam primeiro no outro, porque eu posso fazer o que quiser da minha vida, com o meu corpo, com a minha saúde, mas o som alto incomoda o vizinho. Não aceito amor demais, porque me sufoca. Amizade demais me sufoca. Bondade demais me sufoca. Atenção demais me sufoca. No entanto, amor de menos me deprime. Amizade de menos me frustra. Bondade de menos é maldade. E falta de atenção é abandono.

Ele me amava demais, mas era amor que cabia em mim. Amor que não transbordava, e nem faltava. Era aquele amor que me envaidecia, que me curava e desarmava. E eu o amava muito. Muito. Muito. Muito que transbordava. Em mim.

Não é fácil lidar com o que dá certo. Não é fácil amar direito, porque problemas, mesmo que não existam, a gente inventa. E eu não sei amar ninguém, lembra? Por que isso, por que aquilo, isso não está certo, isso me irrita… Mas ele sempre tinha as palavras certas, nos momentos certos. Sem sarcasmos, sem ironia, sem brigas, sem culpados. E pela primeira vez na vida tive a sensação de que não importava saber amar direito…a gente tinha que amar a pessoa certa.

Um dia a festa acabou, a luz apagou, e eu não conhecia nenhum José. Ninguém conseguia me explicar o que havia acontecido. Naturalmente eu ainda não sabia amar direito. Ainda não aceito as pessoas do jeito que elas são. Não aceito boas intenções. Não aceito verdades construídas em cima de mentiras. Não aceito imperfeição. Não compro o rasgadinho que não aparece.

Não importa o que aconteceu. Não importa de quem é a culpa. Não importa quem apagou a luz. Importa?

Hoje somos meio oi, meio tudo bem, meio o que tem feito de bom.
Viramos assim, amor de qualquer jeito.

Coisas da vida. Coisas de amor de linhas tortas.

Casinha branca

Às vezes você constrói uma casa. Tudo pensado com carinho. Cada cômodo, cada mobília… Você quer sua casa aconchegante, quer receber as pessoas que ama, quer ser feliz.

Com o tempo você vai percebendo que a casa é quente. Percebe que os móveis trazem desconforto por causa do calor… O fogão não está muito bom… Ou a comida fica crua ou queima. Com o tempo aquela casa se torna um pesadelo… Mas é a SUA casa. A casa que você levou tempos para construir… Então tudo é uma questão de paciência. Você compra um ar-condicionado, reforça as telhas, faz uma piscina. Todos os dias você cozinha na esperança de desta vez vai dar certo…se já deu uma vez, por que não vai dar de novo? Mas não dá…ela queima de novo ou ficou crua de novo. Você não entende por que o ar-condicionado não funciona direito. Talvez seja a instalação mal feita. Talvez seja defeito de fábrica… Mas você espera. Vai ver o dia estava muito quente.

Com o tempo a sua casa só te dá tristeza. Mas é a SUA casa. Você não quer vender… Você construiu com tanto carinho… Vai ter um jeito. O tempo vai melhorar. Você vive cada dia… Não dorme, não tem mais paz. Mas você espera, porque o tempo vai melhorar. A comida você vai acertar. Deixa o carpete, porque por mais que 90% dos dias sejam quentes, vai chegar pelo menos um dia de frio.

Você espera o frio. Você espera o tempo da comida. Você pensa em mudar… Você pensa em vender… Mas é a SUA casa. Todo trabalho, todo esforço… Não é justo. Você tem pena de se desfazer do que construiu. E você já se esforçou tanto… Você gastou tudo que tinha. Você tenta todos os dias, mas aquela casa não te faz mais feliz. Não é mais aconchegante. Não parece mais com você. Por quê? Você fez de tudo… Colocar à venda? Melhor esperar alguém que se interesse. Você não pode deixar tudo para trás… São suas esperanças… sua casa…sua vida.

Um dia você acorda suada, com fome e doente.
Escuta…Vai embora…Vai embora! Não adianta… Tudo que você poderia fazer, você já fez. Não espere o tempo melhorar. Não espere a casa voltar ao que era…Você já tentou… Talvez por falta de sorte… Não importa. Vai embora…Não fique com pena do dinheiro que gastou. Não fique com pena das noites sem dormir. Não lamente todo esforço. Vai embora! Mesmo que não tenha para onde ir. Não tente mudar os móveis de lugar. Não tente consertar o que quebrou. Não pense mais no que você pode ter feito de errado… Vai embora! Vai embora agora! Não leve nada com você, não olhe para trás…saiba desistir do que te faz infeliz.

Pessoas vão dizer que você não se esforçou.
Vão dizer que poderia ter tentado mais.
Vão dizer que a culpa é sua, porque não ouviu quem entendia mais que você.
Vão dizer que a culpa é sua, porque você é teimosa.
Vão dizer que a culpa é sua, porque você tinha que ter feito diferente.

Algumas pessoas vão te apoiar, mas nenhuma vai te oferecer abrigo.
Outras não vão saber por onde você anda.
Muitas não vão saber o que te dizer.

Só você pode se ajudar.
Só você sabe o que é melhor para sua vida.
Só você sabe de suas dores.

E só Deus vai te dar forças para começar tudo de novo.

05/03/2007

Ser ou não ser…

Da última vez que fiquei sozinha em casa me senti gente grande. Fui ao boteco da esquina e comprei um engradado de Ice. Calorzão, casa só para mim, eu, meus pensamentos e Ice. Combinação perfeita para relaxar e deixar a imaginação fluir. Tinha esperança de criar algo sensacional, refletir sobre a vida, existência, paz, amor…algo meio Bob Marley com 5% de álcool.

O resultado disso foi que não escrevi UMA linha, e achei que todas as pessoas do mundo estariam morrendo de vontade de falar comigo ao celular. Não lembro de alguém ter atendido. Talvez porque era madrugada. Talvez porque era Carnaval. Ou talvez porque não queriam mesmo…afinal, o que os ex teriam que ouvir de mim naquele momento tão…tão…inusitado – ou seria inconveniente?

Também vomitei o quarto e o banheiro. Oh, céus. Fiquei deitada na cama me sentindo uma lombriga bêbada e fedida. Achei que morreria sozinha. Pouco digno para uma mãe de família morrer, porque bebeu sozinha, e PIOR: ICE. Aliás, humilhante. Aliás, adolescente.

Hoje estou sozinha em casa. Ao contrário da última vez, permaneço uma mãe exemplar, que passou o dia e a noite inteira deitadinha assistindo aos filmes debaixo de um aconchegante edredom. A chuvinha lá fora conforta ainda mais o cenário. Em momento algum pensei em ser gente grande de novo, digo, adolescente. Pensei em me olhar no espelho para ver se me animo ou reconheço que devo voltar a me cuidar. Conforto é bom, no entanto, se sentir bonita também faz bem. Mas, cá entre nós, estou com preguiça de olhar…sei que vai dar um trabalho danado, e aqui tá tãããão quentinho.

Vou lá ler um pouco mais, para pensar um pouco mais, para ver se existo um pouco mais.

Vô varrendo

Estou aqui pensando em mil coisas ao mesmo tempo. Nem sei se dou conta de tanto pensamento. Queria férias. Não como mãe ou como profissional… Queria só férias da rotina, dos costumes, das paisagens, do clima, das pessoas. Mas, ao mesmo tempo preciso fazer minha mudança (sim, de novo!). Empacotar, desempacotar, arrumar, gastar dinheiro.  Tenho que lidar comigo sem remédios… Sim, porque eu decidi que penso melhor sem remédio. Mas não é que o mundo fica MUITO PIOR? As pessoas ficam mais burras, eu me sinto mais agredida, e muito mais inútil. COMO alguém consegue ser  um ser pensante, sem a possibilidade de exercitar? As pessoas falam de Deus, do Diabo, da fome…e elas mesmas NEM SE CONHECEM. E o Facebook? Conseguiram tornar laços de amizade num mural de horrores, piadas sem graça e “formador” de moral. Não existem palavras para tanta gente idiota junto. Não satisfeitos, formam imagens. Outro dia eu estava assistindo um documentário sobre a origem do universo. Vocês sabem que toda essa informação vai morrer comigo, não sabem? Não que tenham que aprender, mas aqueles poucos minutos que exercitei minha mente serviram para eu procurar um armário de cozinha mais barato, porque tô precisando. Oh, céus…tire de mim esse mau humor, porque isso só envelhece. Alguém lembra do meu déficit de atenção? Então, vamos separar em parágrafos, organizar o pensamento…começo, meio e fim, pra ver se alguém entende? NÃO QUERO!

Acabou a história.

Capiche?

Hoje eu estava lendo uma crônica sensacional do Mário Prata onde ele dizia que assim como os adolescentes são uma preparação para maturidade, também existe os envelhescentes que são uma preparação para velhice. Ambos são irritadiços, se enervam com pouco, acham que já sabem de tudo e não querem palpites em suas vidas.

É isso. Estou envelhecendo e ninguém tem nada a ver com isso. Uma envelhescente assumida. Claro que algumas coisas assustam, como: cabelo branco, flacidez, rugas…mas queria um manifesto pelo direito de envelhecer em paz com a minha bengala. Esteticamente a gente vai dando um jeitinho, mas se tem uma coisa que tenho certeza na minha vida envelhescente é que NINGUÉM sabe mais de mim do que EU. Sobre mistérios do universo posso opinar, mas sobre mim eu sei falar. Sei quando é verdade, sei quando é mentira e sei me enganar, me sabotar e fingir que não estou me vendo. Facinho.

Quando era adolescente eu tinha vontade de aprender italiano, mas, claro que todos achavam a coisa mais imbecil do mundo, afinal, quem vai correr o risco de não aprender o inglês? PRA QUÊ você quer aprender italiano? Não fazia a menor ideia da utilidade, mas eu queria ter o prazer de falar. Claro que me “forçar” a fazer o cursinho de inglês foi para o meu bem, mas o fim dessa história foi que detestei o idioma, e hoje não falo nem uma coisa e nem outra. Se perdi a utilidade, nunca saberemos… Mas que perdi a chance de ter o prazer, ahhhh eu perdi.

Se eu tentaria aprender italiano hoje? Seria lindo para minha biografia, né? Mas, nem morta. Enjoei de estudar. Se um dia eu for para Itália, vai ser um charme pessoal tentar me comunicar através de gestos e bordões que aprendi com um monte de novela das oito. Ou com o inglês que aprendi assistindo aos filmes americanos.

PUT THE GUN DOWN! Adoro esta frase.

Quando era adolescente também achava que ninguém tinha o direito de mandar em mim. Hoje, envelhescente, tenho certeza. Essa é nossa diferença e nossa conquista. Mas, poxa…é assim? Vai desistir tão fácil? Não quer continuar aprendendo, estudando? Amiguinho, ó, prestenção: foda-se. Eu nunca quis aprender a dirigir, e agora acho que está na hora. A MINHA HORA. No dia que eu cismar em fazer qualquer coisa, mesmo que (supostamente) não sirva pra PORRA NENHUMA, também vou fazer. Ano passado cismei que ia fazer uma pós em Filosofia. Até comecei, mas o mundo caiu na minha cabeça, joguei tudo fora, e agora estou na fase de reconstruir. Essa sou eu, cáspita. Não sou autossuficiente, respeito e admiro meus amigos e suas opiniões, mas, aos desavisados: respeitem meus cabelos brancos.

E não insistam. Carne de pescoço, capiche?

Eu, Monalisa

Meu olhar autista e meu jeitinho quase charmoso de ser desligada transmitem um ar fascinante, acredito. Não sou tão bobinha quanto normalmente me descrevo, mas com certeza não sou tão esperta quanto pareço. Às vezes nem eu consigo acreditar que esse meu olhar de paisagem seja tão enigmático.

Sabe comédia pastelão, onde o bobão é confundido com um a gente do FBI e os investigadores o levam super a sério? Não que eu seja bobona – afinal estou aqui hoje para ser Monalisa – mas chega a ser engraçado. Quantas vezes fui surpreendida por frases cheias de hostilidade, como se eu estivesse planejando conquistar o mundo, e eu não fazia a MENOR ideia do que estavam falando? Engano tanto assim?

Deixa eu contar um segredo: tenho déficit de atenção. Se você consegue ler um texto meu e acha que existe coerência e coesão, parabéns para mim, Monalisa, porque só Deus sabe o quanto foi difícil organizar as palavras, os parágrafos, o pensamento de forma que ele, o texto, seguisse a linha de começo, meio e fim. Acredita que às vezes demoro finalizar a leitura de um livro, porque, dependendo do dia, preciso ler o mesmo parágrafo mais de uma vez? As frases me distraem, e uma palavra é capaz de me fazer viajar pelo cosmos, de pensar na “morte da bezerra”, na Monalisa, menos no livro.

Sim, essa sou eu. Tenho um lado docinho que vocês não conhecem. Distraída, que não anda com pedras nas mãos e nem espero o pior do mundo. Eu, Monalisa, confundo as pessoas. Os que acham que me conhecem por aqui estão MUITO enganados. Sou tolerante (não disse paciente). Acredito quando se arrependem. Acredito em segunda chance, porque assim acredito em mim. Não aceito, mas entendo erros. Eu, Monalisa, pareço contraditória com tudo que já escrevi sobre mim até hoje? Talvez. Eu, impaciente, esnobe, arrogante, depressiva, estressada, mal humorada, apaixonada. Porém, entendam que quando falo com vocês é porque algo dói, machuca, incomoda ou destrói.

Quem vocês conhecem é alguém com pedras no sapato, não nas mãos.

Dia 19: Uma foto que defina sua maior qualidade

Ou não?

Uma carta

Sou amorosa. Há controvérsias, talvez.

Ou não seja esta minha qualidade notável. No entanto, ainda acredito que o amor revela seu remetente.

O destinatário é uma incógnita. O amor, apesar de ser a arma mais poderosa do mundo, nem sempre é eficaz. Quisera eu conseguir lidar com algo tão poderoso sem me machucar ou atingir quem nada tem a ver com minha falta de habilidade

Ninguém me conhece realmente a não ser aquele que sabe (ou aceite) receber o meu amor. Você pode me julgar de diversas formas: por ter atenção dispersa, por esquecer algumas datas ou dar a impressão de que “ela nem pensou em mim quando agiu dessa forma”. Sou muito, mas muuuuito julgada por coisas que eu nem sabia que estava fazendo. A lista é infinita, mas não acho que isso aconteça só comigo. Todo mundo, em alguma vez na vida se sentiu julgado, injustiçado por alguém que ame muito

Existem temperamentos, o certo ou errado, o que machuca mais ou o que nos torna mais felizes. Juro que me sinto aquelas meias que perdem o par. Talvez eu tenha uma forma muito peculiar de remeter o que sinto àquele que julgo ser meu par. Meus amigos são poucos, mas são aqueles para sempre. Interessante que eles entendem. Remeto-lhes meu amor de diversas formas, que são aceitas do jeito que sei lhes dar. Eles me amam também, lembram?

Sabe, fico pensando se sou tão forte ao ponto de aguentar o coração que tenho. Não sei se consigo sobreviver a tantos ataques sofridos ou de mantê-lo saudável do jeito que deveria ser. Mas, às vezes me pergunto se não é você que não tem coragem de enfrenta-lo. Sou fraca, mas ele – o coração – é destemido, advoga minhas ações e não se importa e nem tem medo de quem você é. É ele que te mostra que não sou defeituosa… apenas sou como você: cheia de defeitos. É ele que te olha quando estamos juntos e você nunca me entenderá se não olhar para mim da mesma forma.

O amor é muito perigoso para ser usado por qualquer um. Quero aprender a usá-lo sem borrar, sem excessos e encontrar um par de meias pintadas, quem sabe, por Monet? Algo que simplesmente me represente com doçura e que seja destinado àquele que se reconhece como meu precioso par.

Blá, blá, blá Wiskas Sachê

Durante a minha vida inteira me perguntei por que as pessoas não entendem uma palavra do que eu falo. Cresci, fiz Letras, aprendi a escrever e a escolher minuciosamente as palavras para que a semântica não me traísse. Aprendi a me expressar de forma correta, a escrever o que penso e sinto. Não existe vírgula errada, pontos ou parágrafos mal colocados…E mesmo assim, ainda hoje, ninguém entende uma frase completa.

Infelizmente a gente precisa que as pessoas aprendam a interpretar o que está à sua volta. Infelizmente, sim, porque o meu bem estar muitas vezes depende do que você interpreta sobre mim. É importante, sim, que as pessoas compreendam que você não é o que elas querem que você seja. Quando eu digo que estou magoada, eu estou magoada. Magoada não quer dizer frustrada, não quer dizer triste, não quer dizer coitadinha, não quer dizer com raiva, não quer dizer porra nenhuma que não seja mágoa.

Hoje, depois de uma simples frase bem dita, percebi que não é que as pessoas não entendam… elas simplesmente não ouvem o que não querem ouvir. Clichê demais isso. No entanto, isso deixa de ser clichê quando você se dá conta do que isso realmente significa.

Não adianta falar de honestidade com alguém que não tem. Não adianta usar todo seu português bem estudado ou simplesmente abrir seu coração e mostrar o quanto desonestidade te faz mal. Não adianta tentar sensibilizar as pessoas com aquilo que elas não conhecem. A máscara bem feita que elas usam para amenizar sua falta de honestidade, é a mesma que elas pensam que a gente usa para inventar um estrago.

“Não entro naquele carro idiota” e “não entro naquele carro, idiota” é a mesma coisa. It´s not a big deal!

Não perca seu tempo falando sobre (falta de) educação com alguém que não tem. Não adianta falar de felicidade com alguém infeliz. Não adianta você tentar compartilhar uma vitória com alguém que não seja bem resolvido. Do mesmo jeito que quem não tem filho não entende o esgotamento físico e emocional de quem tem.

Tentar conscientizar alguém sobre algo que ela nunca teve é muito blá, blá, blá Wiskas sachê…

Dia 16: Uma foto de quem te ensinou muitos valores

O problema da honestidade

Olha, não sou a favor da verdade-nada-mais-que-a-verdade. Mal educado aquele que diz o que quer, até porque, provavelmente não perguntei porra nenhuma. (Tô nessa vibe)

Não sei o que isso pode parecer, mas acho que verdade não é, necessariamente, honestidade. Não acho que devo dizer a verdade o tempo inteiro, mas ser integralmente honesto é fundamental. Longe de mim contrariar a bíblia, mas verdades precisam ser ditas quando solicitadas. No entanto, em qualquer tipo de relacionamento (com familiares, amigos, amores, vizinhos etc) honestidade é a base do entendimento. Se você tem algum problema com alguém (qualquer alguém!), seja honesto, converse. Não coloque o outro de castigo para ver se ele aprende e pensa no que fez. Peraí, né? Porra, fica fazendo terrorismo. E também não me venha cheio de verdades, porque eu também tenho as minhas. Vamos conversar.

Por outro lado, existe a ingenuidade da honestidade: “Enquanto eu estava aqui te esperando, tomei liberdade para ir ao seu banheiro, tá? Desculpa, você estava ao telefone, não quis te atrapalhar…”. Como é que eu ia saber que eu viraria a louca que vai ao banheiro dos outros sem avisar ANTES? É muita gente doida nesse mundo, gente. Você NUNCA vai imaginar que aquela pessoa não te atende mais, porque ela acha que você foi extremamente inconveniente em sua casa. Você vai pensar mil coisas, MENOS no dia que você foi ao banheiro.

Sou do tipo que se tenho essas neuroses aviso na primeira oportunidade. Claro que ALGUÉM vai se sentir ofendido, e vai me mandar uma foto de um banheiro que ela foi em PARIS, sem precisar avisar ANTES. Mas, por favor, palmas para ela, que ela merece. Pelo menos agora entendi por que não responde mais meus recadinhos no Facebook. Cada um com suas merdinhas, né? Vou respeitar.

Dia desses fui pregada na cruz por dizer a verdade. Sim, Jesus, entendo perfeitamente a sensação. Achei que estava sendo honesta, mas não estava não. Estava com um monte de “verdade” acumulada. Tudo que eu tinha vontade de dizer a respeito, eu disse. Ninguém me perguntou, mas eu disse. Em minha defesa digo que meu lado honesto não permitiu que eu desmentisse uma vírgula depois do estrago. Não sei se eu estava certa ou errada, mas não queria ter feito tanto estrago. Apesar de que, cá entre nós, achei muito barulho por nada.

Hoje li a frase: “Melhor levar um chute da verdade do que um abraço da mentira”. A primeira coisa que me veio à cabeça foi: dá para alguém me incluir FORA dessa?

Eu sei mentir também, e às vezes faço com mais frequência do que gostaria. Isso contradiz todo meu discurso? Não. Só fica paradoxal, porque sou honesta quando digo que sei mentir, e pratico, inclusive.

Sabe que estou começando a achar que eu seria uma boa advogada?

Anyway, o que a gente pode concluir com isso tudo? Honestamente? Me perdi no meu próprio discurso no meio do caminho. Isso tudo começou porque – metaforicamente falando –   me senti injustiçada por ter sido castigada por levar uma barra de chocolate para um Spa, e ter avisado na portaria. Porra, sacanagem. Eu estava sendo honesta… Não precisa revistar minha bolsa.

Droga.

Sobre amizade

Dizem que escrevemos melhor quando estamos tristes. Não é uma regra, mas devo concordar. Eu, por exemplo, normalmente sinto mais necessidade de escrever quando estou magoada ou quando preciso justificar para o “mundo” que minhas atitudes e pensamentos têm fundamento. Chato isso.

Escrever é uma forma de ser ouvida e não ser interrompida.

Mas, não é minha intenção gerar um texto metalinguístico (gostaram?). Não é sobre nada disso que pretendo falar hoje. Comecei com a intenção de tentar descobrir o porquê escrevemos tanto quando estamos com o coração cansado. Por que as pessoas se identificam tanto comigo quando estou abatida? Não é injusto?

Agora pense numa pessoa querida. É! Qualquer uma! Tenho a péssima mania de me sentir vítima desse mundo esquisito que a gente vive. Por que não consigo simplesmente abstrair tudo aquilo que desaprovo/que me faz mal, se eu tenho coisas muito mais construtivas para contar? Acho falso quem é feliz o tempo todo, mas sabe…eu tenho amigas sensacionais, que me fazem feliz o tempo todo. Bem, não assim o tempo todo, porque agora cismaram de tomar meu último gole de Coca-cola. Traumático.

Dia 15: A foto de um irmão/irmã de alma

O desafio de hoje é falar das pessoas que só nos fazem bem. Difícil para quem é dramática e vítima do mundo. Mas, pensando bem…

Sabe aquele dia que caí no fundo do poço, e já estava descendo o primeiro degrau? Sim, eu fui socorrida. Se saí do fundo do poço? Não, mas tive com quem conversar… Eu precisava que alguém me ouvisse chorando. Só isso. É…a gente precisa saber que não está sozinha. Ela foi um desses anjos que Deus coloca em nossas vidas, que consegue nos fazer lembra o quanto estamos acima de tantas coisas que o coração não tem deixado a gente ver. Aquela amiga que te lembra tudo que você esqueceu que é.

Outro dia, por intermédio de outras pessoas, apareceu uma senhora na minha vida, que se disponibilizou em me ajudar com um probleminha burocrático que andava tirando meu sono há alguns dias. Uma senhora, que faz tratamento sério de saúde, se disponibilizou vir até a mim e me ajudar pessoalmente. E mesmo doente, ela me pareceu a pessoa mais cheia de vida que já conheci até hoje.

Sim, as pessoas são más e eu tenho medo delas. Porém, maior que toda essa maldade é a bondade de quem está perto. Se de repente tudo parece ruim, é de repente que a gente também se surpreende, e aprende a se equilibrar no mundo.

Também sou acusada de ser má às vezes. Quanto a isso, ainda não tenho explicação, mas tenho certeza que muito maior que qualquer (suposta) maldade foi a intenção de acertar. Bem, algumas vezes nem tanto. E, claro que só estou justificando. Ninguém se sente má assim por querer.

Bem-vindo, 2012

Ok, preciso dizer para vocês que meu ano de 2011 foi uma MERDA. Decidi começar meu texto com essa frase impactante, simplesmente porque não tinha outra forma de expressar ou definir em apenas uma frase o decorrer de um ano INTEIRO.

Comparando com problemas que atingem a humanidade, sou mero grão de areia. Mas, vocês precisam saber que, sim, as pessoas adoecem emocionalmente. Passei o ano de 2011 com a cabeça completamente fudida. Através de outros olhos ganhei vários adjetivos, todos ofensivos ou depreciativos, afinal, não fui capaz de realizar uma tarefa completa. Larguei pós-graduação, projetos, minha casa ficou às moscas e não conseguia mais trabalhar. Os remédios me ajudaram a não chorar 24h por dia, mas falhei em todas as tentativas em fazer algo por mim.

A gente não precisa de crítica negativa para ter consciência que precisar andar para frente, entende? Isso é chutar cachorro morto. Tive dias felizes, sim, mas quando não conseguia pensar em absolutamente nada sobre a minha existência. Aqueles dias que a gente conversa com alguma amiga(o) que adora sorrir. Eu também gosto! Se você se preocupa comigo, querida(o), me faça sorrir! Não fale nada que não me faça abrir um sorriso, a não ser que eu te pergunte. Aliás, isso deveria estar no estatuto dos direitos humanos.

Certa vez fui atropelada. Fiquei alguns segundos inconsciente, sem saber o que havia acontecido, no entanto percebi que estava caída no meio da rua e não conseguia levantar. Não conseguia gritar por socorro e nem me movimentar, mas tinha consciência que um outro carro poderia me atropelar de novo se não conseguisse sair dali. Alguém me ajudou, me levou para calçada… eu estava consciente, mas não sabia direito o que estava acontecendo. Dei o número da casa dos meus pais para alguém me buscar e levar ao médico, porque tudo doía. Pensaí.

Com a chegada de um novo ano, renovo meu coração de esperanças. Que eu pare de me sentir culpada por tristezas que não me pertencem. Que eu me cobre menos lealdade. Que eu não tenha necessidade de tantas verdades. Que eu mantenha serenidade com o que não entendo ou não se explica. Que eu tenha sabedoria com o que não me acrescenta. Que eu tenha paciência com a ignorância. Que eu aprenda a ver com o olhos, e menos com o coração. Que eu seja menos emotiva, sem perder a sensibilidade. E principalmente: que eu aprenda que conviver comigo mesma é super fácil. A gente nasce dinamite, e quem nos ama sabe nos manter em temperatura adequada. (li isso hoje em algum lugar)

No fundo acho que reclamo de barriga cheia, porque tenho todos os motivos para ser feliz todo dia. Não quero ser mal agradecida e nem parecer infeliz. Na verdade, em 2011 não tive motivos para ser infeliz. A angústia veio da sensação de ser sempre a pessoa errada, no lugar errado, quem sabe, no planeta errado. Acontece.

Presente, professora!

Ok, vamos “matar” logo esses três dias e acabar com a minha agonia. Vocês querem falar de escola? Ok, então sobre escola iremos falar.

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Dia 11: Uma foto de algo que lembre seu Ensino Fundamental

Dia 12: Uma foto que define sua faculdade, ou a que quer fazer

Dia 13: Um foto da sua profissão

Sempre odiei. Verdade. Escola, para mim, era um pesadelo. Primeiro, porque tinha que acordar cedo. Oh, Deus, por favor não! Já contei para vocês que nasci dormindo e só chorei cinco minutos depois? Outro dia conto, mas não espere que eu goste de QUALQUER COISA até, pelo menos, às 10h da manhã. Se levei cinco minutos para chorar quando nasci, você acha meu cérebro leva quanto tempo para começar a funcionar depois que meus olhos abrem? (nunca mais?)

Na verdade, apesar da minha “pouca simpatia” pela escola, não fui uma aluna-problema e nem dei trabalho a ninguém. Era boa aluna, me comportava direitinho e ganhava a simpatia de alguns professores com alguma conversa fiada. Contudo, por trás daquela menininha boazinha e simpática existia alguém que queria MORRER RÁPIDO, principalmente nas aulas de Química, Matemática e Biologia. Juro que eu sentia que meu corpo desfalecia suavemente enquanto meu cérebro virava gelatina de, sei lá… CU?

Aí, disseram que eu teria que estudar mais para ser alguém na vida. Então, depois de uma história longa e enfadonha, decidi fazer Letras. Quem gosta de escrever, ler e artes faz Português AND Literatura, claro. Lá fui eu para faculdade e foi tudo sensacional. Não acordava cedo, fazia meus horários, fora que a gente só estuda o que gosta, né? Daí, que tudo se torna bem mais fácil e interessante. Fora algumas aulas que morreram (eu não mato nada) no caminho, fui uma ÓTIMA aluna e tive excelentes notas. Obrigada, obrigada. E, apesar dos apelos das melhores amigas ever, me formei antes de todo mundo, ignorando solenemente os sentimentos daquelas atrazildas.

Mas, e agora, José? Já me formei… e aí? Sim, vá trabalhar, menina! Não foi para isso que você estudou? Sim, mas agora eu sou professora! José aponta para mim e ri: VOLTA PARA SALA DE AULA!

Sim, voltei. Mas de lá pra cá os tempos mudaram. Antes os alunos só queriam morrer… Agora eles tentam nos matar. Tá bom… Tá bom… Não vou falar sobre a probabilidade de um dia enfartar. Gosto de dar aula, e, sim, vale a pena fazer parte da história de alguém… A sensação de ter o “poder” de fazer a diferença no mundo (e por que não?) é edificante. Se não fosse o sistema (não falemos nele) eu me arriscaria em dizer que é a melhor profissão do mundo. Descobri que também há alunos inesquecíveis, e que complementam nossa história.

Mas, agora a gente pode parar de falar de escola? PORRA, EU TÔ DE FÉRIAS!

Versinho

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Eu, que tenho em meu sorriso toda felicidade do mundo.
Eu, que abro mão de mim sem me perder.
Eu, que preciso de silêncio e sou feliz sem ele.
Eu, que tenho calos nos pés.
Eu, que nunca sei o caminho, mas a direção está sempre certa.
Eu, que sou chamada de louca quando me sinto mais sã.
Eu, que não abro mão.
Eu, que não sei pedir.
Eu, que sempre paguei para ver.
Eu, que sei mentir.
Eu, que nunca tive medo de ninguém.
Eu ainda tenho um sonho secreto…
Um sonho ingênuo e secreto:
Que um dia eu pare de chorar por você não estar perto.

Defeito de fábrica

Dia 4: Uma foto que represente seu maior defeito

Tenho a impressão de que falar dos próprios defeitos será, na maioria das vezes, como entrevista de emprego: conseguiremos descrevê-los sempre a nosso favor. Inclusive, porque acreditamos nisso. Todos nossos defeitos são justificados, e a imagem refletida no espelho será descrita da forma que enxergamos. Aqueles piores mesmo são feios demais para revelar e não vão combinar com nosso penteado ou com aquela velhinha que ajudamos a atravessar a rua.

Como uma autêntica criatura com defeitos de fábrica, já fui chamada de egoísta (mas quem não foi?), insensível, imprestável, dissimulada, impulsiva, irritante, implicante, metida, arrogante, soberba… Meu Deus, será que sobrará algum que eu não possa contar? Para todos esses tenho justificativas, provadas por A+B, que não é por querer e a culpa é de quem mexe com quem está quieto. Nunca seremos maus aos nossos olhos. Bom, não assim o tempo todo.

No entanto, o melhor dos piores, aquele que carregarei comigo para o túmulo e vou ter que me virar para explicar depois, é a minha PREGUIÇA. Esse é meu pecado capital. Sabe aquela preguicinha de existir? ADORO dormir com aquela sensação maravilhosa que não tenho absolutamente nada de importante para fazer no outro dia. Imaginem só: eu e Marina estamos de férias… O que, no mundo, vai nos tirar da cama antes das 14:00? ADORO acordar tarde, comprar comida pronta, pedir por telefone, mandar entregar em casa. Ainda bem que tenho uma certa neurose com arrumação, senão minha casa seria O caos. Mas, já falei que meu sonho é ter uma faxineira?

Ah! E quer saber outro mimo? Não adianta me chamar para alguma coisa em cima da hora. Nunca me animo. Preciso estar psicologicamente preparada para me arrumar e sair. Ah, é… e também sou chamada de antissocial.

Quando vai ser o dia para descrever as qualidades, hein? Esse texto não está fazendo bem à minha imagem. Se bem que…em minha defesa, posso assegurar que é muito bom dormir comigo. (rá!)

Pensando bem, vambora acordar para vida? Levanta dessa cama! O mundo está passando lá fora. Muitas festas! Muitos amigos! Olha o dia como está bonito hoje… Vá à praia, amiga! Aproveita a natureza, o sol, o mar…é verão!

Olha que eu vou, hein? Só falta saber uma coisa:

QUEM VIRÁ ME BUSCAR?

(Mas não me ligue agora, porque esse texto está previamente agendado, e, claro, estou dormindo neste exato momento)

Das coisas que a gente aprende e desaprende

Sabe, me acho meio ingênua. Não sou bobinha, não tenho vocação para Sandy, e nem, graças a Deus, acredito nas propagandas da Polishop…Já descobri que o coelhinho da páscoa é uma farsa, que Danoninho não vale por um bifinho, e que chocolate diet também engorda. Só ainda não me conformei muito com a história de que Papai Noel não existe. Era a minha última esperança de continuar vendo o mundo do jeito que eu via quando era criança. Talvez assim ele parecesse mais colorido. Mas aprendi também que acreditar em mentiras só colore a imaginação.

A gente cresce com o tempo e vai aprendendo a desacreditar em tudo que haviam nos ensinado.

Lembro da minha mãe dizendo para sempre respeitar os mais velhos, que não podia chamar a mamãe enquanto estava conversando, e nem se meter nas conversas dos adultos. Não podia brigar com os amiguinhos, e que era muito feio não querer devolver o brinquedo do outro, que quando eu quisesse qualquer coisa, podia sempre pedir ao papai, que ele me daria. Às vezes demorava, mas ele sempre dava um jeitinho. Lembro das coisas que não podia fazer na frente de ninguém: não podia tirar meleca, fazer sapo (arrotar) e nem soltar pum. Se eu me perdesse, que ficasse parada no mesmo lugar, sem medo, porque já já mamãe me acharia. Ensinou que deveria vir embora na hora do almoço, que era feio ficar olhando as pessoas comer, e mais ainda deixar alguém me olhando, e que eu deveria sempre dividir. Quando pedir algo, sempre “por favor”, e nunca deixar de agradecer, “obrigada” (porque menino fala “obrigadO” e menina fala “obrigadA”, sabiam?). E principalmente: nunca minta para mamãe, porque “quem fala a verdade, não merece castigo”.

Algumas coisas não desaprendi. Continuo não fazendo na frente das pessoas o que é feio, porque ainda sou muito educada, obrigada. Ainda continuo não querendo nada de ninguém. Bom, quase nada. Mas quando me perco da minha mãe no supermercado, fico rosnando procurando por ela, e quando a encontro, chamo de descontrolada, compulsiva, às vezes de véia caduca, e pergunto quem mandou sumir! E lá se foi a educação e o respeito pelos mais velhos.

Mas a maioria desaprende o que sabiamente a mamãe ensinou lá nos tempos que ainda acreditávamos em Papai Noel, e do mesmo jeito que ele vira mentira, a gente desacredita na educação das pessoas, no bom senso e respeito. Gente que suja a rua, que desrespeita idosos, trabalhadores ou pessoas humildes. Gente que quer o que o outro tem. Gente que não tem o menor conceito do que é respeito. Basta assistir ao Jornal Nacional, e talvez, quem sabe, entrar num processo de síndrome do pânico, no meio de tanta informação, que agride nossa sensibilidade. A gente leva tanta porrada, ou vê tanta coisa acontecendo, que passa a ter medo de conviver com as pessoas.

Contudo, de todas as coisas que precisei desacreditar para me proteger, o que mais me desapontou foi ter que desacreditar na verdade. De como fui castigada por dizê-la, e de como já usaram minhas verdades contra mim. Quando somos verdadeiros nos expomos, e ficamos vulneráveis àquelas pessoas que roubam tudo que nos é precioso, porque sabem onde guardamos a chave da porta da frente.

Cheguei a achar que verdades estariam restritas apenas àqueles que a gente ama, e na melhor das hipóteses, a quem nos ama de volta e nos retribui o coração com a mesma sinceridade, principalmente nossos pais e irmãos, mas também nossos amigos e aquele amor que a gente acha que vai ser para vida toda. Basta as mesquinharias dos outros e notícias do Jornal Nacional.

Porém, de uns tempos para cá, descobri que amigos às vezes nos retribuem amizade com mesquinharias e pobreza de espírito; e que aquele amor para vida toda era tão verdadeiro quanto Papai Noel. A sensação que tenho é que guardei as meias que colocava na janela. Acreditar naquele amor para vida toda é olhar para o céu e esperar papai Noel chegar, com todos os nossos sonhos dentro daquele enorme saco vermelho. A diferença é que quando eu acordava, meus sonhos estavam lá debaixo da árvore.

Acho que minha mãe conseguiu me ensinar a ser uma pessoa boa. Ela só esqueceu de me ensinar a ser esperta. Talvez tivesse esperanças que eu percebesse que tudo muda quando a gente cresce, e que com o tempo eu aprenderia. Mas gosto de finais felizes, mesmo que não seja em Bali. Mesmo que a vida não seja em Neverland. Mesmo que o sonho acabe. O final feliz dessa história é que mesmo no meio de tantas mentiras e frustrações, eu ainda estou aqui, em pé, mesmo que toda machucada, ainda incapaz de roubar alguma chave de porta da frente.

11/08/2007

Quando eu soltar a minha voz por favor entenda…

 
Que palavra por palavra eis aqui uma pessoa se entregando

Coração na boca peito aberto, vou sangrando

São as lutas dessa nossa vida que eu estou cantando

Quando eu abrir minha garganta, essa força tanta

Tudo que você ouvir esteja certa que estarei vivendo

Veja o brilho dos meus olhos e o tremor nas minhas mãos

E o meu corpo tão suado transbordando toda raça e emoção

E se eu chorar

E o sal molhar o meu sorriso

Não se espante

Cante

Que o teu canto é a minha força

Pra cantar

Quando eu soltar a minha voz

Por favor entenda
É apenas o meu jeito de viver

O que é amar

Fora do mercado

(…)

– E o seu marido?

– Não… eu não sou casada…

– Separada?

– Não…

– Viúva?

– Não…

– Ah, tá… é mãe solteira…

Alegre

– Vejo sua filha e sinto a maior falta da minha… Tenho uma filha também, mas não sou casado não… Sou separado…

– Hum…

– Há mais de um ano já… E você? E o pai da sua filha?

– Legal… Mas agora tenho que ir. Beijos.

Não sei mais paquerar. Sério. Não importa se acho a outra pessoa interessante ou não… O caso é que independente do meu grau de interesse, tenho aquela vontadinha de MORRER quando recebo um elogio, quando tentam me apresentar a alguém ou qualquer tipo de desvio numa conversa.

Deus, o que está acontecendo comigo?

Você também não acredita, né? Mas deixa eu te contar mais.

Outro dia eu estava num churrasco… Só pessoas conhecidas… De repente chegou uma galera. Só homens, amigos do dono da casa. Quando vi aquele monte de homem entrando (hein?), me senti no meio de um pesadelo. É se achar muito gostosa para acreditar que seria o centro das atenções e todos aqueles homens acotovelariam-se por minha causa, mas a verdade é que eu queria ir embora para não correr o risco de ser “mirada” por alguém. Deus, me defenda. Fiquei num cantinho, conversando com uma senhora, mãe de não sei quem, fazendo pose de indisponível (depois ensino).

Estaria eu frígida? Mudei de time? Ou só estou apaixonada?

Fez, porque quis

Toda vez que penso em amor, não penso em reciprocidade. Bem, não assim de imediato. Cada dia que passa percebo que amor é algo que a gente dá, porque sente, não porque quer (ou pedem). O amor é espontâneo e por si só é recíproco.

Tudo que faço pela minha filha, por exemplo, faço porque a amo, não porque quero. Eu lhe beijo, não para educá-la.  Sou sua amiga, não porque ela tem que saber o que é amizade. Independente do que eu TENHA que fazer, eu faço porque a amo, não porque quero. A gente dá presente, porque adora ver o outro feliz. Mas quando ela joga papel de bala no chão INTEIRO, que acabei de limpar, não hesito em dizer em alto e bom som (histérica) que fiquei igual uma CORNA o dia inteiro limpando a casa, e se ela não tá percebendo que tá sujando, eu tô mostrando! Nem ligo para psicologia. PODE CATANDO ESSA #%$#@ TODA A-GO-RA!

Acredito que seja mais ou menos assim em todas as relações entre pessoas que se gostam/amam. Só não retribui amor quem não te ama de volta. Não acredito em amor que a gente tem que cobrar. Há momentos, sim, que papéis de bala serão jogados no chão sem querer, e a gente vai reclamar. Há milhares de formas de resolver problemas, há relações e relações… No entanto, não vou acreditar NUNCA em quem me diz “fez, porque quis”. Quem ama não faz porque quer, faz porque ama.

Você está perdendo seu tempo com aquele que diz que nunca te pediu nada. Esse não teve nem a educação de não jogar papel no chão.

Esnobe? Eu?

Moro aqui na rua há mais de 20 anos. A casa da minha mãe fica do lado direito, e a minha (há mais ou menos 1 ano), do esquerdo. Dia desses entrei na rua e fui para minha casa pela calçada esquerda, e de repente me dei conta que estava num lugar completamente desconhecido. Que sensação esquisita… Há mais de 20 anos entro na mesma rua e nunca tinha me dado conta que EXISTIA uma calçada esquerda. Olhei para as casas…reparei que algumas tinham garagens, outras umas árvores bonitas… Que interessante.

A verdade é que não tenho o MENOR interesse pela vida das pessoas. Se em algum lugar está escrito “não abra”, eu não abro, e na maioria das vezes nem fico curiosa. Não é para abrir, então não é. Sabe aquela pessoa que não olha o mundo a sua volta? Literalmente. Essa sou eu. O mundo tá cheio de gente! É muita gente para olhar! E eu simplesmente, com todo meu coração (e respeito), não me interesso por elas. Isso não tem nada a ver com amor ao próximo, insensibilidade e tudo mais. Tem a ver com: não olho para você, a vida é sua…fique à vontade. E você pode, por favor, fazer o mesmo por mim?

Esse meu jeitinho doce me rende antipatia gratuita. As pessoas não gostam de mim, mas, acredito, nem sabem o porquê. Ou inventam os porquês, para justificar aquele sentimento inusitado. Se alguém me diz “Oi, sou sua vizinha! Moro naquela casa amarela!”. Morro de vergonha, porque aquela pessoa se sente rejeitada, ignorada, porque não sei quem ela é. O que ela nunca vai entender é que eu nem imaginava que na minha rua existia uma casa amarela. Entende?

Nunca fui boa com fofoca. Que inferno. Pior que às vezes a fofoca é sensacional, altos barracos, e eu não faço ideia de quem estão falando. Oi, eu sou Danielle, vivo no planeta Terra, mas eu sei de mim, da minha família, dos meus amigos e o resto do mundo acompanho pelo G1. Não sei o nome daquele colega que não trabalha no mesmo turno que eu, e nem das meninas da secretaria, até porque tenho vergonha de perguntar o nome delas a essa altura do campeonato. Hoje conheço alguns vizinhos, geralmente pais e mães de crianças, porque desde que engravidei passei a prestar atenção em crianças a minha volta. Consequentemente passei a ter afeto por todos eles.

Veja bem, se não sei quem você é não é porque minha superioridade inexorável não permite. Se não sei quem você é, é porque eu não tenho nada a ver com isso. Porque você tem liberdade de ser qualquer coisa. Não vou olhar para dentro da sua casa para ver o que você tem, o que você veste, que carro comprou. O problema é que você QUER que eu olhe, não quer?

Vamos fazer o seguinte? Faz de conta que não estou aqui? Caso precise de mim por algum motivo, tentarei ajudar, e pode ter certeza que serei gentil e de verdade. A gente precisa das pessoas, eu também preciso. Agora, pare de tentar chamar minha atenção pelo motivo errado. Pare com essa carência. Pare com essa necessidade de se sentir notada(o), admirada(o) ou, quem sabe, invejada(o). Como assim eu não gosto de você? Não tem como detestar alguém que mora lá naquela casa amarela… O que fatalmente parecerá esnobe da minha parte. O que eu também nem ligo, e também não sei por que estou explicando… Mas, deixa eu viver minha vida sem precisar te notar? Deixa? Obrigada.

Por que não sou a mulher da sua vida

Primeiro porque provavelmente eu seja louca – o que até acredito que seja verdade.

Não vou ficar aqui me superestimando dizendo que sou linda, inteligente, independente, leio, escrevo, tenho gosto refinado, enquanto você provavelmente só pensa e estima coisas que não interessam, sem o menor valor intelectual ou tem a mente tão proveitosa quanto propagandas trash da madrugada. Porém, para seu consolo, todo esse discurso, meu caro, é pura frustração, ou, em outras palavras: qualquer outra coisa que não seja EU na sua mente ou na sua vida é resto, porque, na minha cabeça (louca, diga-se de passagem), eu deveria ser tudo que te completa. Tudo que você poderia amar e não consegue viver sem, porque sou tudo de maravilhoso que a vida poderia te oferecer.

Até sou, mas… Você acredita? Se você não acredita, meu filho, o problema é exclusivamente meu, porque é de você que eu gosto. Não adianta eu tentar me convencer o quanto você é ignorante, ou melhor dizendo, burro, em não perceber que sou a mulher da sua vida. Não adianta eu ficar aqui tentando enaltecer o meu ego, minha alto-estima, me achando o último biscoito do pacote, tentando me consolar dizendo que estou acima de toda sua mortalidade, se no final do dia eu dou aquela choradinha, sem ninguém i-m-a-g-i-n-a-r (claro, afinal sou superior a tudo isso), porque, ora veja só, sinto sua falta.

A verdade verdadeira é que tenho, sim, todas qualidades mutantes (sou loira, inteligente, professora, escritora, mãe, dona de casa AND gostosa – tá, confesso que me falta um LASER), que permite que eu seja feliz, mesmo com aquela choradinha que ninguém imagina, mesmo não conseguindo ser a mulher da sua vida. E você tem, sim, todas suas qualidades apaixonantes, que são maiores que seus defeitos, mas… disso não vou falar, por dois motivos óbvios: primeiro, que o texto é meu e eu falo de você do jeito que eu quiser; segundo, que provavelmente vou querer te ligar depois.

Pois então… É assim que termina nossa história: eu, uma mulher que não é a mulher da sua vida. Por quê? Porque não. Simples. Ponto final. Sem mais divagações ou busca de respostas que me consolem. Claaaaro que não me conformo. Você sabe que não sou tão esclarecida assim o tempo todo e que adoro te mandar pro inferno. No entanto, agora é o momento de tentar entender o que pode dar certo. O que, no fundo você também sabe, não é o nosso caso.