Capiche?

Hoje eu estava lendo uma crônica sensacional do Mário Prata onde ele dizia que assim como os adolescentes são uma preparação para maturidade, também existe os envelhescentes que são uma preparação para velhice. Ambos são irritadiços, se enervam com pouco, acham que já sabem de tudo e não querem palpites em suas vidas.

É isso. Estou envelhecendo e ninguém tem nada a ver com isso. Uma envelhescente assumida. Claro que algumas coisas assustam, como: cabelo branco, flacidez, rugas…mas queria um manifesto pelo direito de envelhecer em paz com a minha bengala. Esteticamente a gente vai dando um jeitinho, mas se tem uma coisa que tenho certeza na minha vida envelhescente é que NINGUÉM sabe mais de mim do que EU. Sobre mistérios do universo posso opinar, mas sobre mim eu sei falar. Sei quando é verdade, sei quando é mentira e sei me enganar, me sabotar e fingir que não estou me vendo. Facinho.

Quando era adolescente eu tinha vontade de aprender italiano, mas, claro que todos achavam a coisa mais imbecil do mundo, afinal, quem vai correr o risco de não aprender o inglês? PRA QUÊ você quer aprender italiano? Não fazia a menor ideia da utilidade, mas eu queria ter o prazer de falar. Claro que me “forçar” a fazer o cursinho de inglês foi para o meu bem, mas o fim dessa história foi que detestei o idioma, e hoje não falo nem uma coisa e nem outra. Se perdi a utilidade, nunca saberemos… Mas que perdi a chance de ter o prazer, ahhhh eu perdi.

Se eu tentaria aprender italiano hoje? Seria lindo para minha biografia, né? Mas, nem morta. Enjoei de estudar. Se um dia eu for para Itália, vai ser um charme pessoal tentar me comunicar através de gestos e bordões que aprendi com um monte de novela das oito. Ou com o inglês que aprendi assistindo aos filmes americanos.

PUT THE GUN DOWN! Adoro esta frase.

Quando era adolescente também achava que ninguém tinha o direito de mandar em mim. Hoje, envelhescente, tenho certeza. Essa é nossa diferença e nossa conquista. Mas, poxa…é assim? Vai desistir tão fácil? Não quer continuar aprendendo, estudando? Amiguinho, ó, prestenção: foda-se. Eu nunca quis aprender a dirigir, e agora acho que está na hora. A MINHA HORA. No dia que eu cismar em fazer qualquer coisa, mesmo que (supostamente) não sirva pra PORRA NENHUMA, também vou fazer. Ano passado cismei que ia fazer uma pós em Filosofia. Até comecei, mas o mundo caiu na minha cabeça, joguei tudo fora, e agora estou na fase de reconstruir. Essa sou eu, cáspita. Não sou autossuficiente, respeito e admiro meus amigos e suas opiniões, mas, aos desavisados: respeitem meus cabelos brancos.

E não insistam. Carne de pescoço, capiche?

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3 comentários em “Capiche?

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