Ler para crer

Acredito que meus amigos já saibam dessa história, e provavelmente já mencionei em algum texto, mas hoje estou aqui para contar como uma adolescente que só gostava de música, aprendeu a se encantar por leitura.

Não fui nadinha precoce, como vocês podem perceber. Antigamente – sim, hoje em dia uso essa palavra que meus pais usam desde que eu era criança – livros eram oferecidos na porta de casa. Algum vendedor aparecia com alguma coleção e oferecia o pagamento em suaves prestações. Sem isso de SPC, SERASA, cheques etc. Marcava uma data, e todos os meses o vendedor buscava seu pagamento religiosamente.

Meu pai achava elegante ter tantos livros na estante da sala. Não sei se ele tinha noção do valor histórico ou intelectual de tudo aquilo, mas os arrumava harmoniosamente na estante ou prateleiras na sala. Até me interessei por uma coleção de “educação sexual”, já que minha mãe não se sentia muito à vontade em conversar “coisas de mulher”. E nem estou falando de sexo, não. Imaginem.

Um dia, entediada, fui procurar um livro para ler, morrendo de medo de me entediar mais ainda. Decidi escolher o mais fininho… “O retrato de Dorian Gray”, Oscar Wilde. O que para mim era uma mistura de nada com coisa alguma ou nunca vi mais gordo, virou coisa de outro mundo. Como assim o retrato envelhece no lugar do cara?! SENSACIONAL. Desde então, não tive medo dos livros mais pesados. “Germinal”, de Èmile Zola e “Os três mosqueteiros”, de Alexandre Dumas ainda fazem parte da minha Top list.

Não me lembro de haver literatura brasileira. Essa curiosidade veio com o tempo, através de indicações de amigos.

Todos os livros que a escola indicava, eu odiava. Não tive um incentivo direto dos meus pais, porque eles também não tinham o hábito de leitura. Mas, Oscar Wilde, conseguiu encantar uma adolescente que não gostava de ler. Interessante que eu não o indicaria como incentivo à leitura. Acho que o que aconteceu entre nós foi o momento certo na hora certa. Ainda lembro do meu coração disparando quando o próprio Dorian Gray percebeu o primeiro sinal de envelhecimento, no seu rosto, no próprio retrato.

Genial.

 Dia 9: A foto de alguém que marcou a sua vida

 “As mulheres não sabem o que querem, e não dão descanso, enquanto não recebem aquilo que querem.” Oscar Wilde

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