Bandeira branca

Eu passei minha gravidez inteira apaixonada por um homem que não tinha absolutamente nada a ver com o pai da minha filha.

Um dia me senti completamente abandonada e aceitei o convite de um amigo para bater papo e enfiar o pé na jaca. No dia seguinte eu estava com a maior ressaca EVER, dessas que a gente não consegue nem levantar porque a cabeça não para de girar. Um mês depois eu estava contando para esse meu amigo que estava grávida dele, e escolhendo palavras para contar para meu “apaixonado” que eu estava grávida de outro. O mundo caiu na minha cabeça, porque além de tudo eu estava desempregada e sem plano de saúde. Fui sozinha fazer a ultra, para confirmar o que todos os exames já haviam mostrado. Minha filhinha estava lá, parecendo um caroço de feijão, com o coração batendo. Foi uma mistura entre o som mais lindo que já ouvi na vida com o mais amedrontador. Eu chorei e pensei “Meu Deus, o que vou fazer agora?”.

De lá para cá muita coisa aconteceu. Minha gravidez foi ótima, eu fiquei linda, Marina ganhou tantos presentes que só precisei complementar o enxoval. Minhas amigas me apoiaram muito, além da minha família que não disse, em momento algum, palavras que me recriminassem. Hoje eu tenho um emprego estável, temos plano de saúde… De um quarto na casa dos meus pais mudamos para uma casa. Sou uma típica dona de casa suburbana que adora pendurar fotos da família na geladeira e enfeitar a casa com vasinhos de planta. Marina chega da escola e já tem janta pronta, mas antes vai direto para o banho, para depoooooois escovar os dentes e dormir. No meio dessa vida normal ganhei uma psiquiatra de quebra…mas, quem é que não precisa?

Meus amores ficaram espalhados por aí. Fiquei sem vida afetiva durante muito tempo. Até achei que tive uma, quando eu e o pai dela não tínhamos nada para fazer. Tô aqui, não to fazendo nada, nem você também. Sabe? Bem por aí. O outro, lá do começo da história, foi embora. Casou, mudou e não deixou recado. Literalmente.

Minhas histórias de amor são sempre assim meio dantescas. Um dia estou no céu, e outro no inferno. Um dia tenho tudo, noutro, nada. Todos perturbados, carentes, opressores, que amam muito, que sentem muito, que vêem em mim tudo que eles precisam. Talvez eu também seja perturbada, carente, opressora, que ama, sente muito e vê neles tudo que eu preciso. Daí que uma hora essa bomba explode. Só que agora eu estou aqui na janela agitando uma bandeirinha branca… Alguém entende isso? Entenda.

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4 comentários em “Bandeira branca

  1. Fiquei impressionada pq sua história é exatamente igual à minha. Eu era louca por um cara que não queria casar e cuja família não me aceitava pq eu era divorciada (acredita nisso?) . Brigávamos mto e numa dessas brigas eu acabei tomando um porre e fiquei com meu ex-marido no dia do niver dele e engravidei. E me vi tb tendo que contar pra ele que estava grávida e pro outro que estava grávida e o filho não era dele. Meu mundo caiu literalmente na minha cabeça. Eu chorava todos os dias de medo, de pena de mim, de pena da minha filhinha e com medo que ela sentisse minha tristeza, mais infeliz eu ficava. Mas minha lindinha nasceu, eu tb passei por um período recessivo (exceto por eventuais encontros com o pai dela) e o outro tb casou mudou e teve filhos e nunca mais nos vimos. Sofri quase cinco anos mas um dia resolvi me libertar e liberté-lo tb desse sentimento que só me trazia dor. Hj minha vida está ótima, minha filhota é uma garotinha linda de 9 anos e bem resolvida, tenho um namorado maravilhoso que tb tem uma filha de 12 anos, e somos muito felizes. Às vezes é difícil , mas com certeza o pior já passou. E me deixou mais forte e eu e minha filha somos nuito unidas. Liberte-se tb, desse pensamento de que só encontra “encostos” .Tem alguém maravilhoso por aí só esperando vc abrir a porta, pode acreditar. Bjs

  2. Danielle,

    Adorei conhecer parte da sua história. Talvez porque a sua história se assemelhe a minha, exceto pela primeira parte. Eu engravidei daquele que julguei ser o homem da minha vida, embora na época não tivéssemos namorando mais… E ter um bebê realmente era algo que não passava pela nossa cabeça. Mas a Ana quis vir e eu encarei, também com aquela sensação de felicidade e desespero, afinal não tinha o melhor emprego do mundo, mas pelo menos a empresa pagava um bom plano de saúde. Imagino como deve ter sido o início e as dificuldades… Mas passou e saber que passou me dá esperança, pois ainda estou vivendo a segunda fase, àquela da casa dos pais, emprego pouco estável… Ler sua história renova a minha esperança de um dia ter um espaço meu além do meu blog. Quanto a um novo amor, estou aguardando sem grandes pretensões, porque também atraio pessoas complicadas e instáveis emocionalmente. Algo que não cabe nesse momento. Agora é hora de cuidar do verdadeiro amor da minha vida: Ana.

    Parabéns pela sua coragem!

    Bjs.

    Erica

  3. Tem que ser muito mulher pra fazer o que você fez… ter tua filhinha, mesmo em circunstâncias não tão favoráveis. Admiro muito, e nem sei se teria a mesma coragem. Tenho tantos planos que não incluem filho agora. Se bem que, pensando direitinho, coragem mesmo deve ser preciso para abortar depois de ouvir esse coraçãozinho, né?

  4. Marina tá cada dia mais linda, e vc tbm!
    Quanto ao post…eu não entendo, porque a vida toda tive mania de me apaixonar por pessoas frias e sem sentimento, ao menos aparentemente…se elas realmente são assim ou não, ninguém nunca voltou pra contar.

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