Um pingo é letra?!

Na escola se aprende a interpretar textos e ler nas entrelinhas, para que quando você cresça, saiba que quando alguém chateado disser que você lhe deu um sorriso amarelo, você saiba que foi um sorriso sem graça, e não que seus dentes estão amarelados.

Uma parede verde vai ser sempre verde ou de uma forma poética pode trazer esperança ou lembrar os olhos, a roupa de alguém no contexto… Mas parede verde não vai ser azul só porque você acha que é azul. Naquela casa só vai ter um cachorro se ele aparecer na história ou se tiver indícios. Não há cachorro só porque é uma casa com quintal e você achou que poderia ter. Interpretação é matemática. Não é tão fácil quanto o resultado de 2+2, mas é tão certo quanto qualquer equação.

Alunos costumam reclamar das correções: “Mas foi essa a MINHA interpretação!”. Lá na alfabetização, quando fazia os exercícios de “Ligue”, você ligava o osso ao cachorro, e o doce à criança. Você cresce, se perde no caminho, e por uma série de razões, que não sei quais são, liga o doce ao cachorro e diz que EU não alcancei o seu nível.

Tem gente que você não atende, não retorna as ligações, não responde e-mails, e ela não entende. Tem gente que começa a falar um assunto, e você muda. Ela tenta de novo, você muda. De novo, e de novo. Tem gente que liga, conta a vida, e você lá “então tá bom”, e ela continua. Tem gente que tá na tua casa às tantas da noite, você bocejando, e ela continua!

Não estamos falando de dramas existencialistas, dos problemas do mundo, crise econômica, aquecimento global, nada disso. Estamos falando do óbvio, do 8 ou 80, do preto e branco, da água e do vinho. E isso também não é questão de cultura. É mente vazia, parada, e, em alguns casos, de inconveniência ou falta de educação (a que vem de casa) mesmo.

Você, que é mãe ou que convive com crianças, ajude. Quando seu filho for assistir um filme, pergunte qual foi a história, ajude-o a lembrar a seqüência. Peça-o para contar o seu dia, como foi o passeio, o que ele gostou ou não e o porquê. Nos dias de ganhar presente (aniversário, Natal, Dia das Crianças) ele vai querer aquele brinquedo que viu na tv, mas se você chegar em casa num dia qualquer, com um brinquedo educativo, ele vai achar sensacional. ESTIMULE!

Uma coisa ou outra a gente vai entender errado, claro, até porque nem sempre a culpa é de quem deveria entender. Se já é tarde da noite, sua visita não foi embora e você está ótima, morrendo de rir, no maior papo, não espere que o outro adivinhe que você quer justamente o contrário. Aí a doida(o) é você. Então, por favor, vamos facilitar a vida das pessoas…o sorriso amarelo que eu te dei não é culpa do meu dentista, ok?

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